Negociação sobre efeito estufa precisa acelerar, diz ONU

Representantes de 160 países esperam iniciar um rascunho da linguagem a ser usada no novo tratado climático

AP

21 de agosto de 2008 | 17h04

A África já está sofrendo com "choques climáticos", disse o presidente de Gana na abertura da conferência climática preparatória para o COP 14 da Polônia e que reúne 160 países a partir desta quinta-feira, 21. Ele também se juntou ao grande número de líderes que acreditam que o ritmo das negociações devem ser acelerados para que se consiga um acordo sobre as emissões de carbono.  Veja também: Negociação de acordo contra efeito estufa recomeça em Gana Mais de 1.600 representantes de países e especialistas em meio ambiente começam uma semana de difíceis negociações, esperando iniciar um rascunho da linguagem a ser usada no novo tratado climático que substituirá o Protocolo de Kyoto em 2012.  O presidente John Kufuor disse que seu país tem sido testemunha de secas e enchentes no últimos anos, ressaltando as previsões científicas de que a África será o continente mais atingido pelo aumento das temperaturas globais.  "Há uma necessidade real de fortalecer a capacidade dos países, principalmente da África, de lidar com tais choques climáticos", disse o presidente. Sob o Protocolo de Kyoto, as emissões caíram em 37 países que se comprometeram a reduzir suas emissões em 5%, tendo por base os níveis de emissão de 1990, até 2012. No novo acordo, que deverá se chamar Acordo de Copenhague, já que sua conclusão está prevista para uma reunião na capital dinamarquesa, vai mudar parcialmente o foco para a criação de fundos e transferência tecnológica, para que os países em desenvolvimento se adaptem às mudanças climáticas ao mesmo tempo que constroem suas economias de maneira ecologicamente correta.  Kufuor disse que dezenas de bilhões de dólares devem ser canalizados para os países mais vulneráveis, a cada ano.  Yvo de Boer, secretário executivo da Convenção dobre Mudança Climática da ONU, disse que o rascunho deve ficar pronto em um ano para que os negociadores concluam o acordo em Copenhague em dezembro de 2009. "Os negociadores precisam acelerar as discussões e entrar em temas mais concretos se os governos pretendem atingir a data limite que determinaram", disse.  Países industriais devem completar um conjunto de regras que determinem a redução continuada de suas emissões de carbono, incluindo a troca internacional de créditos de carbono. Para a África, uma questão chave nas conversas de Acra será como recompensar países que diminuam o desmatamento e como fornecer fundos para a manutenção das florestas. Cerca de 20% do aumento das emissões de carbono vêm da destruição de florestas.  "Não houve nenhum país que tenha falado contra" um acordo em geral, disse John Lanchbery, da organização não governamental Birdlife International. "Eles gostariam de ver o acordo implementado de maneiras diferentes. Mas ninguém tentou acabar com a proposta. Todos querem que ela aconteça." Acra é a terceira reunião desde a primeira, em dezembro de 2007, em Bali, Indonésia. Pelo menos outras cinco ocorrerão até o acordo final.

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