Negociações da Agenda 21 têm início em Johannesburgo

Os representantes de mais de cem países reunidos em Johannesburgo iniciaram neste sábado as negociações preliminares acerca da versão final do Plano de Implementação da Agenda 21. Um quarto do texto de 71 páginas está entre colchetes, ou seja, não houve consenso a respeito desses trechos na reunião preparatória de Bali, realizada entre maio e junho. "Estamos apenas começando", disse o chefe da equipe de oito diplomatas brasileiros, Gelson Fonseca, embaixador do Brasil nas Nações Unidas. "Essas coisas demoram." As negociações preliminares estão previstas para terminar na noite de domingo para segunda-feira, quando chegam os ministros dos países participantes para a abertura oficial da Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável. Mas o mais provável é que os colchetes não tenham desaparecido completamente do texto, quando os ministros chegarem ao Sandton Convention Centre, sede da Cúpula.Entre os pontos mais sensíveis estão: a ajuda financeira pedida pelos países pobres aos ricos; a tentativa de revisão, por parte dos países desenvolvidos, do princípio da "responsabilidade comum, mas diferenciada", consagrado na Rio-92, que significa que os custos e os esforços em favor do meio ambiente devem recair mais sobre eles; e a exigência dos países em desenvolvimento de que os países ricos eliminem os subsídios e barreiras comerciais que protegem seus mercados agrícolas.O Brasil traz uma proposta, elaborada pelo secretário do Meio Ambiente de São Paulo, José Goldemberg, e endossada pelos países da América Latina e do Caribe, para que todos o mundo atinja, em 2010, a fatia de 10% de fontes renováveis de energia. A proposta enfrenta resistências dentro do próprio bloco a que o Brasil pertence, o G-77, que inclui os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).A proposta que consta do esboço de Plano de Implementação, apresentada pela União Européia, é ainda mais ambiciosa: 15% de fontes renováveis de energia. O Brasil pretende apresentar sua proposta uma vez que não se atinja consenso em torno da proposta da UE.Veja mais notícias e a galeria de fotos

Agencia Estado,

24 de agosto de 2002 | 11h11

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