Negócios sustentáveis substituem marketing verde

Exposições, feiras e fóruns de negócios, no Brasil, têm uma presença cada vez mais constante de produtos florestais ou considerados sócio-ambientalmente corretos, que até bem pouco tempo atrás seriam classificados como alternativos e estariam totalmente fora dos mercados de consumo tradicionais.Couro vegetal feito de látex de seringueira, marfim vegetal de sementes de jarina, óleo de copaíba, cosméticos e velas de andiroba, fitoterápicos, cestaria, azeite de castanha do Brasil e alimentos à base de frutas amazônicas são alguns exemplos, mais ou menos bem sucedidos.Tais produtos têm em comum o fato de serem produzidos por comunidades tradicionais, a maioria da Amazônia, mas algumas também dos cerrados e do litoral brasileiro. Quase todas são comunidades isoladas, com grande dificuldade de distribuição dos produtos nos grandes centros consumidores e uma certa irregularidade no fornecimento.?O que falta a muitas destas comunidades é desenvolver um bom plano de negócios e falar a linguagem que os empresários entendem?, diz presidente da Brasil Connects, João Carlos Veríssimo, que nesta sexta-feira apresenta a estratégia de apoio a negócios desse tipo, no Fórum Econômico Mundial, no Rio de Janeiro.Para Veríssimo, o ciclo de convencimento dos empresários, para que apóiem projetos sustentáveis, fica cada vez menor. Especialmente quando tais projetos são apresentados como negócios sustentáveis e não como filantropia. ?É preciso demonstrar que o investimento empresarial vai aumentar a produção, vai aumentar a renda da comunidade e vai terminar por inserir uma população, antes marginalizada, no mercado de consumo?, afirma. ?Com isso, o apoio a negócios sustentáveis, sócio e ambientalmente corretos, tende a substituir o chamado marketing verde?. Para exemplificar o que diz, ele leva os números de um caso de sucesso, apoiado pela BrasilConnects, que é o aumento da produção de pirarucus na Reserva de Desenvolvimento Sustentável de Mamirauá, no Amazonas. O pirarucu é o maior peixe da Amazônia e principal fonte de renda da população ribeirinha, mas a pesca predatória vem reduzindo os estoques naturais e a comercialização do pescado ou venda em restaurantes está suspensa. Em Mamirauá, um programa de pesca, que já tem oito anos, conseguiu assegurar a sustentabilidade da atividade e aumentar o número de peixes capturados (com mais de um metro de comprimento) de 2.500 em 1999 para mais de 7.000 em 2001.De acordo com Veríssimo, hoje a comunidade comercializa 50 toneladas de pirarucu por ano, mas, com investimentos, teria condições de dobrar esta quantidade. ?É muito diferente apresentar a um potencial investidor um negócio que já comercializa 50 toneladas e pode dobrar do que uma idéia de colocar pescado no mercado. O empresário sabe calcular o retorno do investimento, inclusive em vendas para a própria empresa, na medida em que estas pessoas são inseridas no mercado de consumo?, diz. Como o projeto de Mamirauá, a BrasilConnects está apoiando outros cinco negócios potencialmente sustentáveis, com sementes de jarina (marfim vegetal) para confecção de bijuterias e acessórios de moda; com plantas medicinais de conhecimento tradicional, do Acre, e outros produtos florestais não madeireiros.

Agencia Estado,

21 de novembro de 2002 | 18h49

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