JOSE LUIS DA CONCEICAO/AE
JOSE LUIS DA CONCEICAO/AE

Neurologista e escritor Oliver Sacks está com câncer terminal

Autor do best-seller Tempo de Despertar, o britânico publicou artigo no qual narra sua reação ao ser diagnosticado com a doença

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2015 | 22h29

Autor do best-seller Tempo de Despertar, o neurologista britânico Oliver Sacks, de 81 anos, publicou nesta quinta-feira, 19, no jornal americano New York Times um artigo no qual narra sua reação ao ser diagnosticado, recentemente, com um câncer terminal. 

Professor de Neurologia na Escola de Medicina da Universidade de Nova York, Sacks lançou Tempo de Despertar em 1973. No livro, ele conta sua própria experiência com pacientes que sofrem de encefalite letárgica e saem de seus estados catatônicos com a ajuda de um medicamento. A história foi adaptada para o cinema, em 1990, em filme estrelado por Robin Williams e Robert DeNiro.


"Há um mês pensava que estava bem de saúde, inclusive muito bem", escreveu Sacks. "Mas a minha sorte acabou. Umas semanas atrás soube que tenho várias metástases no fígado".

No texto, contou que havia sido diagnosticado e tratado há nove anos por um raro melanoma que o deixou cego de um dos olhos, mas que recentemente tornou-se parte do "azarado 2%" dos pacientes nos quais esse tipo particular de câncer se expande. "Sinto-me grato por ter tido nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou de cara com a morte", escreveu.

"Agora depende de mim escolher como quero viver os meses que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que puder".

Sacks afirmou que sentiu uma "repentina clareza e perspectiva" com a notícia. "Não há mais tempo para nada que não seja essencial. Eu preciso focar em mim mesmo, em meu trabalho e em meus amigos", escreveu. Segundo Sacks, não se trata de indiferença, mas de desapego. "Eu ainda me preocupo profundamente com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com a crescente desigualdade, mas essas coisas não são mais da minha conta; elas pertencem ao futuro. Eu me alegro quando conheço jovens talentosos - mesmo aquele que fez a biopsia e o diagnóstico da minha metástase. Eu sinto que o futuro está em boas mãos."

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