Jarbas Oliveira/Estadão
Jarbas Oliveira/Estadão

Astrônoma amadora de 8 anos já detectou sete asteroides no espaço

Nicole Oliveira auxilia em projeto da Nasa e literalmente sonha com as estrelas

Igor Soares, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2021 | 05h00

Caçar asteroides. Esta é uma das atividades que Nicole Oliveira, de 8 anos, gosta de fazer. A menina ganhou destaque na internet por ser uma pequena astrônoma amadora. Ela já detectou sete asteroides no espaço. 

Interessada no universo, a caçadora reúne na parede do quarto os certificados dos cursos de astronomia que fez. Integra o Programa Caça Asteroides, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, além de ser a associada mais nova do Centro de Estudos Astronômicos de Alagoas, de onde sua família é natural.

Ela é filha de Zilma Janaká, artesã, e Jean Carlo Oliveira, analista de sistemas. Segundo os pais, a vida de Nicole se divide entre a escola, onde cursa o 3.º ano do ensino fundamental, as brincadeiras de uma criança desta faixa etária e a busca por conhecimento em astronomia. A mãe conta que a filha desde muito nova já se interessava pelo universo. “Ela deitava no chão e ficava olhando para o céu, pedindo estrelas.” O interesse pelo universo fez com que, no aniversário de 7 anos, Nicole pedisse um telescópio aos pais. “Não queria festa. Nós dissemos que este presente era bem mais caro, porém nos esforçamos para realizar o desejo dela e, então, compramos”, diz Zilma. 

Trata-se de uma menina aplicada no assunto. Foi medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia. “Eu fiquei muito feliz quando ganhei a medalha”, afirma Nicole. “Sempre foi muito estudiosa e dedicada”, diz a mãe sobre como a filha é na escola.

As atividades de caça aos asteroides não podem atrapalhar os estudos e a menina sabe disso, porque, para realizar um dos sonhos, precisará estudar. Ela quer cursar Engenharia Aeroespacial. “Quero construir foguetes”, revela. 

A pequena não busca conhecimento sobre astronomia apenas para ela. Pensando em divulgar a ciência, criou um clube, o “Nicolinha e Kids”, que reúne 53 crianças e adolescentes, entre 6 e 16 anos, apaixonados pelo universo. “Sou uma divulgadora científica”, pontua.

Além disso, tem uma conta no Instagram e um canal no YouTube, onde chama outras crianças para falarem sobre ciência e astronomia, e realiza entrevistas com especialistas no tema. Entre os que já passaram pelo canal, estão a astrofísica Duilia de Melo, descobridora das Bolhas Azuis. Nicole e as amigas também entrevistaram Carlos Moura, presidente da Agência Espacial Brasileira. E Marcos Palhares, o primeiro brasileiro que embarcará para o espaço em voo pela Virgin Galactic. 

Nicolinha teve interesse em participar do Caça Asteroides após assistir a uma live do ministério. Para fazer parte do projeto, formou equipe com os pais e começou a realizar as tarefas de busca por esses fenômenos espaciais. O pai fez a instalação da ferramenta para que a filha detectasse os asteroides.

Silvana Copceski é a coordenadora do programa do ministério do qual Nicole faz parte. O Caça Asteroides tem parceria com a Nasa (agência espacial americana), com o IASC (International Astronomical Search Collaboration) e com a Secretaria de Educação de Mato Grosso. A iniciativa funcionava em escolas antes da pandemia, segundo a coordenadora. “Adaptamos o projeto para esta situação.”

O processo de inscrição conta com a indicação de um líder da equipe, que pode ser formada por até cinco pessoas. O grupo recebe as imagens que serão analisadas. Atualmente, são mais de 3 mil cientistas cidadãos, de acordo com Copceski. O programa tem 750 equipes, que precisam baixar um software para receber os 17 mil pacotes, cada um contendo 70 mil imagens. “Qualquer pessoa que queira fazer ciência pode fazer parte. A gente pensa que é um projeto como outros, mas ele tem uma relevância. A partir dele, é possível, inclusive, observar alguma ameaça à Terra.”

Para manter contato com os participantes, há um grupo por onde devem ser enviados, uma vez por semana, os asteroides detectados. A análise é do IASC. Após esse processo, a União Astronômica Internacional, em Paris, informa se o que foi identificado se trata ou não de uma descoberta de asteroide. A coordenadora explica que há uma diferença entre detecção e descoberta deste fenômeno. “Este processo de descoberta pode levar de seis a oito anos para confirmar um possível asteroide.” De acordo com ela, até o momento, mais de 380 asteroides foram detectados por cientistas cidadãos brasileiros. 

Para se comunicar com as crianças, a coordenadora diz que a linguagem é fundamental. “A gente conversa com elas e mostra que um pontinho pulando pode ser um asteroide.” O programa está na quinta edição neste ano, porém ainda faltam duas para concluir, que terão inscrições abertas em breve. Para 2022, a coordenação espera acrescentar mil escolas do País ao projeto de caçadores. “Nosso papel é popularizar a ciência”. 

Com o objetivo de fazer a ciência alcançar mais pessoas, Copceski afirma que a pasta também vai lançar o Clube da Ciência e o projeto Ciência em Casa. Nicole ainda não tem os resultados das possíveis descobertas, mas já sabe o que vai fazer com quando vier a confirmação. “Vou colocar nomes de cientistas brasileiros e de pessoas da minha família.”

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