Nikita volta para casa

A fragata União, da Marinha brasileira, navega até a próxima quinta-feira, 14 de novembro, com destino a Cabo Frio, no litoral do Rio de Janeiro, com uma passageira especial a bordo: uma fêmea de lobo marinho, apelidada de Nikita. Encontrada no canal de Itapessoca, em Pernambuco, no início de agosto, extremamente debilitada, ela foi hóspede do Centro de Mamíferos Aquáticos (CMA), de Itamaracá, em Pernambuco, nos últimos 3 meses. Agora, já restabelecida, deverá ser devolvida ao mar, a 20 milhas da costa, para um longo caminho de volta ao extremo do Cone Sul, onde vive a colônia mais próxima de sua espécie, Arctocephalus tropicalis. A expectativa é de que as correntes marítimas facilitem sua viagem. Durante os três meses de reabilitação, a jovem fêmea de lobo marinho, de 79cm de comprimento, engordou 5kg, passando de 17 para 22 kg. Os machos adultos desta espécie podem chegar a 1,80 m e 158 kg e as fêmeas crescem até 1,40 m e 50 kg. Segundo a veterinária Jociery Vergara Parente, do CMA, o manejo no oceanário foi feito à distância e com restrições ao contato com as pessoas, para evitar estresse e futuros problemas de readaptação ao ambiente natural. O animal também não foi exposto à visitação e recebia a alimentação diretamente na água: 3,5kg diários de peixes e complementos vitamínicos. Os mesmos cuidados prosseguem na viagem de navio, que pode ser encurtada, se Nikita apresentar sinais de estresse. Durante as primeiras horas de navegação, após o embarque em Recife, ela apresentou-se bem e chegou a descansar.A jovem fêmea recebeu dois microchips (transponders), implantados sob a pele, para facilitar a identificação, caso seja recapturada. Também ganhou um brinco de plástico com o telefone do CMA e da Rede de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Nordeste ou REMANE (0800-281-2009), que deve ser acionada sempre que mamíferos marinhos encalharem no litoral brasileiro. Em geral, as focas, lobos e leões marinhos aparecem na zona costeira nacional por terem se desgarrado de seus grupos, sendo carregados acidentalmente do Sul para o Norte por correntes marinhas. Eles fazem uma viagem longa, sem muitas chances de se alimentar, e sofrem com o calor tropical, em alguns casos chegando a morrer. Depois de Nikita, um outro lobo marinho também encalhou no Nordeste, mas resistiu apenas uma semana.

Agencia Estado,

12 de novembro de 2002 | 16h05

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