No Congresso dos EUA, Venter defende patente de bactéria de genoma sintético

Chefe de serviço de saúde do governo diz que risco de armas biológicas sintéticas é baixo

Reuters

27 Maio 2010 | 18h34

Craig Venter depõe sobre criação da bactéria com genoma artificial em comissão da Câmara. Reuters

 

A biologia sintética tem o potencial de produzir combustíveis limpos, vacinas rápidas contra novas doenças e remédios baratos, mas vai precisar de tempo e de um ambiente regulatório favorável, disseram cientistas a políticos americanas nesta quinta-feira, 27.

 

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Os pesquisadores, juntamente com especialistas em bioética e membros do Congresso americano, concordaram que a tecnologia não oferece, de imediato, riscos ambientais, de segurança ou éticos, mas disseram que é preciso acompanhar os novos desenvolvimentos.

 

A maior parte da audiência, realizada na Comissão de Energia e Comércio da Câmara de Representantes, foi gasta na descrição dos potenciais da nova tecnologia.

 

A audiência havia sido marcada na semana passada, depois que uma equipe do instituto J. Craig Venter anunciou ter usado um genoma sintetizado artificialmente para reanimar uma bactéria cujo material genético tinha sido eliminado.

 

"Não se trata de vida a partir do rascunho", disse Venter, referindo-se ao trabalho como "um passo de bebê" no campo da biologia sintética, com o objetivo final de criar organismos sob encomenda, a partir de uma descrição do DNA desejado.

 

Venter disse que micróbios projetados para transformar gás carbônico em combustível poderiam suprir necessidades energéticas e reduzir a concentração de gases do efeito estufa da atmosfera, contribuindo no combate ao aquecimento global.

 

A mesma tecnologia poderia ser usada para projetar vacinas num computador, acrescentou. Mas a modificação da biologia humana está muito distante. "É um salto colossal entre o que estamos fazendo e o humano", declarou. Ele defendeu a iniciativa de patentear a tecnologia. "Esta é claramente a primeira vida saída de um computador e inventada por humanos", disse.

 

Alguns pesquisadores disseram temer que Venter ou outros grupos venham a patentear o processo, impedindo que seja usado por terceiros.

 

O diretor do Instituto Nacional de alergia e Doenças Infecciosas do governo dos EUA, Anthony Fauci, disse que não há preocupação especial com o uso da tecnologia para criar armas biológicas, destacando que a equipe de Venter levou anos para construir sua bactéria.

 

"Devemos manter em mente que a natureza já é especialista em criar micróbios que podem causar grande dano a seres humanos", disse Fauci.

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