No semestre, País bate recorde de transplantes

Aumento foi de 16,4% em relação a 2009; São Paulo concentra 52% das cirurgias, enquanto outros Estados não fazem nenhuma operação do tipo

Fernando Nakagawa / Brasília, O Estado de S.Paulo

02 Agosto 2010 | 00h00

O Brasil realizou 2.367 transplantes de órgãos no primeiro semestre. Recorde, o número é 16,4% maior que o registrado no mesmo período em 2009. O desempenho é comemorado pelo Ministério da Saúde, que atribui o avanço à melhor capacitação dos profissionais.

Apesar da alta, os procedimentos seguem concentrados: São Paulo tem 52% de todas as ocorrências e Minas, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, juntos, têm 20%. Enquanto isso, Amazonas, Goiás e Rondônia não tiveram nenhum órgão transplantado.

Dados do Ministério da Saúde mostram que ocorreu aumento do número de transplantes de praticamente todos os órgãos. O procedimento mais realizado foi o de rim, com mais da metade dos casos: 1.486 brasileiros recebem esse órgão nesses seis meses. O número cresceu 21% se comparado ao ano passado. Em seguida, o fígado teve 663 ocorrências, com aumento de 36%. O coração teve um caso a menos na comparação com o 2009, somando 99 procedimentos.

"Os números mostram o resultado da capacitação do pessoal envolvido como as equipes hospitalares, em especial das UTIs, e das centrais de transplantes", diz o secretário nacional de Atenção à Saúde, Alberto Beltrame.

Uma das ações treinou equipes para a manutenção de pacientes em casos de morte encefálica. Outra foi a criação de organizações de procura de órgãos, entidades que fazem a intermediação entre centrais, hospitais e famílias.

Para Beltrame, medidas como essas aumentaram o número de doadores, que avançou 17% e atingiu 963 no semestre. Com essa evolução, o Brasil atingiu a média de 10,06 doadores a cada 1 milhão de habitantes. O número ainda é muito inferior ao observado em países desenvolvidos, como a Espanha que tem cerca de 35 doadores a cada 1 milhão.

São Paulo, o Estado com a melhor média brasileira, tem 22,7 doadores por milhão. "Há apenas quatro anos, o índice paulista estava em 11. Hoje, já dobrou. Por isso nos faz imaginar que podemos chegar em pouco tempo a um patamar mais próximo de países como a Espanha", diz.

Escassez localizada. Enquanto alguns Estados caminham para indicadores europeus, outros simplesmente não têm transplantes. No semestre, Amazonas e Rondônia não tiveram nenhum doador e, por isso, nenhum procedimento. Mas o caso mais dramático é de Goiás, onde 13 pessoas doaram órgãos, mas nenhum deles foi aproveitado. O Estado ficou na lanterna do ranking de transplantes.

"Vários fatores explicam o mal resultado de alguns Estados, como a capacidade de realizar o procedimento da rede hospitalar ou a inexistência da cultura de doação. Hoje, os Estados têm centrais de transplante, mas é preciso avançar", diz Beltrame. Uma das ações para tentar melhorar o quadro é o acordo do ministério com o Hospital Sírio-Libanês para treinar equipes nessas áreas.

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