Nobéis pedem aplicação responsável de descobertas científicas

Cerimônia de premiação foi marcada pela emoção da escritora Herta Muller, vencedora na categoria Literatura

Efe,

10 Dezembro 2009 | 17h05

Vencedores do Nobel durante a cerimônia de entrega do prêmio nesta quinta-feira, em Estocolmo

 

ESTOCOLMO - O uso responsável dos avanços e descobertas científicas foi a mensagem que os ganhadores dos prêmios Nobel transmitiram aos acadêmicos durante a cerimônia de entrega realizada nesta quinta-feira, 10, em Estocolmo, onde, fora do protocolo, a emoção da escritora Herta Müller teve destaque.

 

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"Enquanto as novas tecnologias encontram novas possibilidades, todos sabemos que o progresso tecnológico por si próprio não garante um aumento da prosperidade", assegurou o membro da Real Academia das Ciências da Suécia, o professor Tore Ellingsen.

 

"Os navios modernos nos permitem pescar com maior eficiência", prosseguiu, "mas os usamos para esvaziar os mares. A invenção da dinamite - por parte do próprio Alfred Nobel, criador do prêmio - facilitou a mineração e a construção, mas também permitiu uma maquinaria de guerra mais devastadora".

 

Ellingsen entregou um prêmio Nobel de Economia em plena crise financeira internacional, que foi concedido pela primeira vez desde sua criação, em 1969, a uma mulher: a americana Elinor Ostrom, junto a seu compatriota Oliver E. Williamson.

 

Elinor estudou como os bens comuns podem ser administrados por seus próprios usuários, enquanto Williamson recebeu o prêmio por analisar os limites das grandes empresas e sua eficiência para resolver conflitos de interesses. Os dois dividirão a soma de 10 milhões de coroas suecas (US$ 1,4 milhão).

 

Apesar do marco histórico do prêmio de Economia, a escritora romeno-alemã Herta Müller, outra das cinco mulheres premiadas hoje, foi, sem dúvida, a protagonista do evento.

 

Única premiada sozinha nesta tarde em Estocolmo, Herta foi apresentada pelo membro da Real Academia das Ciências da Suécia, Anders Olsson, como uma mulher à qual "a experiência da opressão lhe privou da paz". "Seu trabalho está ancorado em suas próprias experiências. Ela disse que seus temas a escolhem e não o contrário", em referência à profunda pegada que o ditador romeno Nicolai Ceaucescu deixou em livros da escritora como "Em Terras Baixas".

 

Além disso, antes que Herta, em um sóbrio vestido negro, recebesse o prêmio de mãos do rei Carlos XVI Gustavo da Suécia, Olsson destacou a habilidade da escritora "de unir a densidade poética com o afã pelo detalhe da prosa". Os aplausos para Herta, que vive em Berlim desde 1987, foram um pouco mais fortes que o habitual e ultrapassaram sutilmente o previsto.

 

O primeiro prêmio entregue, no entanto, foi o de Física, para os americanos Charles K. Kao, nascido em Xangai, pela invenção da fibra óptica que rege as telecomunicações atualmente; e para Willard S. Boyle e George E. Smith, pela invenção do sensor CCD, que revolucionou o tratamento digital da imagem.

 

Os dois estudos, realizados em 1966 e 1968 respectivamente, são agora "um elemento quase indispensável na sociedade moderna, tanto em nossas vidas diárias como no progresso científico", resumiu o membro da Academia das Ciências da Suécia e diretor do comitê do Nobel de Física.

 

O israelense Ada E. Yonath, o americano de origem indiana Venkatraman Ramakrishnan e seu compatriota Thomas E. Steiz, ganhadores do prêmio Nobel de Química deste ano, foram os seguintes agraciados por terem conseguido determinar o mapa atômico tridimensional do ribossomo. "Este conhecimento essencial já está sendo usado no desenvolvimento de novos antibióticos na luta permanente da medicina contra as bactérias resistentes", assegurou o professor Mans Ehrenberg, membro da Real Academia das Ciências da Suécia e do comitê para este prêmio.

 

Finalmente, os três médicos americanos Elizabeth H. Blackburn, Carol W. Greider e Jack W. Szostack receberam o Nobel de Medicina por terem estudado o funcionamento dos telómeros e a enzima telomerasa, peças-chave no processo de degradação celular e para frear a multiplicação das células cancerígenas.

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