Nobel de Medicina condena abuso de patentes

As pesquisas sobre o genoma humano, assim como toda a ciência, devem servir sempre aos interesses da saúde pública mundial, e não apenas aos interesses de laboratórios e empresas dos países ricos, disse o pesquisador britânico John Sulston, ganhador do prêmio Nobel de Medicina em 2002."O conhecimento deve ser um bem comum, o lucro pode levar a algumas curas, mas não a todas as curas", afirmou.Para Sulston, um dos líderes do consórcio público internacional que seqüenciou o genoma humano, uma grande parte da ciência mundial está refém dos interesses econômicos de grandes laboratórios, o que limita a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico a doenças do Primeiro Mundo - onde as pessoas podem pagar por essa inovação.Enquanto isso, as doenças típicas de países pobres, como malária, diarréia e tuberculose, continuam negligenciadas.Posição do BrasilSulston, que esteve em São Paulo na quinta-feira para uma palestra no Centro Brasileiro Britânico, disse que o Brasil ocupa a posição diferenciada de um país pobre, mas com uma infra-estrutura científica bem desenvolvida.Para ele, o País poderia assumir uma posição de liderança no cenário internacional pelo fortalecimento da pesquisa pública e a distribuição democrática de seus benefícios. Atuando, por exemplo, em parceria com outros países em desenvolvimento dentro da Organização Mundial da Saúde (OMS), "para que o processo decisório não seja dominado pelos países do Norte"."Não acho que entrar para o clube dos ricos, simplesmente, seja um futuro muito nobre para o Brasil", disse o pesquisador.PatentesAtualmente, uma das principais metas do País é justamente criar uma cultura de patenteamento dentro das universidades, assim como fortalecer a inovação tecnológica dentro do setor privado."A patente pode ser algo muito positivo, desde que se lembre que ela é um contrato entre o inventor e a sociedade; e que os benefícios devem ser proporcionais", disse Sulston. "Não sou contra patentes, mas contra o abuso das patentes."

Agencia Estado,

25 de junho de 2004 | 09h51

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