Nobel de Medicina é tachado de racista no Reino Unido

James Watson, pioneiro no deciframento do genoma, disse que africanos têm inteligência diferente da ocidental

Efe,

17 de outubro de 2007 | 13h30

O prêmio Nobel de Medicina James Watson, pioneiro no trabalho de deciframento do genoma humano, chega nesta quarta-feira, 17, ao Reino Unido em meio a uma polêmica surgida após ter algumas de suas declarações tachadas de "racistas". O pesquisador americano, de 79 anos, declarou ao jornal The Sunday Times ser pessimista sobre a África, pois as políticas ocidentais se baseiam na crença de que "a inteligência dos africanos é como a nossa, algo que é contradito por todos os testes efetuados". Essas opiniões também constam em um livro que será publicado na semana que vem, e no qual Watson escreve que não há motivo algum para crer que "as capacidades intelectuais de povos separados em sua evolução tiveram que evoluir de modo idêntico". "Querer considerar um poder igual da razão como uma herança comum da humanidade não é suficiente para que seja assim", escreve o pesquisador. A polêmica em torno dessas declarações lembra a criada em 1990 pelo livro The Bell Curve, do analista político americano Charles Murrey, quem sugeriu que as diferença intelectuais poderiam ter origem genética. Watson participará de uma conferência no Museu da Ciência de Londres, e seus críticos exigem uma resposta firme a seus controversos pontos de vista. "É triste que um cientista que alcançou tanto em seu campo se rebaixe a fazer esse tipo de comentário, sem nenhuma fundamentação científica", disse o deputado trabalhista Keith Vaz, presidente da comissão para assuntos internos da Câmara dos Comuns. "Tenho certeza de que a comunidade científica repudiará o que parece não ser mais que um preconceito pessoal", acrescentou. O cientista americano alcançou fama internacional quando, trabalhando na Universidade de Cambridge (Inglaterra), fez parte da equipe que descobriu a estrutura do DNA. Por seu trabalho, Watson foi premiado em 1962 com o Nobel de Medicina junto a seu colega britânico Francis Crick e ao neozelandês Maurice Wilkins. Esta não é a primeira polêmica em que Watson se vê envolvido. Em 1997, o pesquisador declarou a um jornal britânico que uma mulher deveria ter o direito de abortar caso um teste pré-natal determinasse que o feto que levava em seu ventre seria homossexual, embora depois tenha dito que se tratava de uma escolha "hipotética". Watson também sugeriu a existência de uma relação entre a cor da pele e o instinto sexual, superior nos negros. Segundo o jornal The Independent, o pesquisador seria favorável à engenharia genética por considerar que um dia será possível "curar a estupidez".

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