Nobel de Química vai para proteína que faz a água-viva brilhar

Descoberta e estudos posteriores permitiram usar a fluorescência para ver proteínas e células em organismos

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

08 de outubro de 2008 | 07h10

Três cientistas - dois americanos e um japonês, mas todos atuando nos Estados Unidos - dividem o prêmio Nobel de Química deste ano, pela descoberta e pelas aplicações científicas da proteína GFP, ou proteína verde fluorescente, identificada originalmente na água-viva Aequorea victoria, em 1962.   No ano do LHC, avanços da física de partículas levam o Nobel Nobel para descoberta do vírus da Aids ignora americano Os prêmios de 2007 e a história do Nobel   Atualmente, a GFP é largamente usada como um marcador biológico: associada, por meio de manipulação de DNA, a outras proteínas, ela pode fazer brilhar as partes de um organismo onde a molécula marcada se encontra, o que permite rastrear, por exemplo, o desenvolvimento de um câncer.   Os ganhadores deste ano são o japonês Osamu Shimomura, nascido em 1928, que foi o primeiro a isolar a GFP; Martin Chalfie, nascido em 1947, por demonstrar o valor da GFP como um marcador biológico, ao criar os primeiros organismos geneticamente modificados fluorescentes; e Roger Tsien, de 1952, que ajudou a entender como o GFP fluoresce e estendeu a paleta de cores disponíveis para além do verde.   Shimomura e um colega descobriram a GFP em material extraído de cerca de 10 mil águas-vivas recolhidas da costa do Estado de Washington, nos EUA. Eles descreveram, em 1962, como a proteína brilhava quando submetida à luz ultravioleta.   Cerca de 30 anos depois, Chalfie demonstrou que a GFP poderia fazer com que os nervos de um pequeno verme transparente brilhassem - a imagem foi capa da revista científica Science. Em um experimento divulgado em 2007, usando avanços possibilitados pelo trabalho de Tsien, cientistas da Universidade Harvard conseguiram colorir aos neurônios de um camundongo com diferentes cores.   Neurônios de camundongo coloridos com proteínas fluorescentes, permitindo aos cientistas ver como as células se emaranham no tecido cerebral. Trabalho publicado em 2007 na Nature. Foto: Divulgação   Tsien falou em teleconferência com a Fundação Nobel, em Estocolmo, e disse que tinha ouvido rumores de que poderia ganhar o prêmio, "mas que não eram de fontes muito confiáveis". O cientista parecia um pouco desorientado na entrevista, e disse que havia sido acordado pelo telefonema com a notícia. "É madrugada aqui na Califórnia", explicou.   O pesquisador afirmou que o trabalho com fluorescência "é o trabalho de muita gente, mas suponho que nós três tenhamos feito uma boa parte".   "Continuaremos a desenvolver novas formas de olhar para dentro de células e organismos, não só com GFP mas com métodos que tenham utilidade clínica mais direta, porque o GFP requer uma intervenção no DNA, o que limita sua utilidade", disse ele.   Chalfie, por sua vez, disse que não foi acordado pelos telefonesma sdo comitê Nobel  na manhã desta quarta-feira, e só ficou sabendo que havia ganhado o prêmio ao consultar a internet. "Não é totalmente inesperado, mas você nunca sabe quando vai ganhar ou se vai ganhar, então é sempre uma grande surpresa quando acontece", disse ele, em Nova York.   Tsien, Chalfie e Shimomura dividirão o prêmio de 10 milhões de coroas suecas, ou cerca de R$ 3 milhões.   (com Associated Press)

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