Nova broca de diamante faz sofrer menos no dentista

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) criaram uma broca de diamante para uso odontológico, que poderá substituir, com vantagens, aquela de alta rotação, da qual apenas o barulhinho já apavora muito gente. É o resultado de uma tecnologia desenvolvida para ser empregada em satélites, que poderá trazer alívio a milhões de pessoas que sofrem na cadeira dos dentistas.Em vez de girar, a nova broca vibra a partir de ondas de ultra-som, funcionando como uma espécie de minibritadeira, mas com movimentos suaves. Segundo seus criadores, isso torna o preparo da cavidade dentária que será obturada menos traumático e mais preciso, preservando melhor a parte sadia do dente.Além disso, não produz aquele ruído irritante provocado pela broca de alta rotação.A maior vantagem, no entanto, é a dispensa da anestesia. "As vibrações de ultra-som usadas são fracas", explica o físico Vladimir Jesus Trava Airold, do Inpe, um dos criadores do equipamento. "Por isso quase não causa dor, o que torna possível o tratamento sem anestesia em cerca de 80% dos casos. A broca de diamante também não corta as partes moles, como a gengiva, o que elimina sangramentos."O dentista Dirceu Vieira, presidente do Centro de Estudos Prof. Dirceu Vieira, testou a nova broca de diamante em cerca de 50 pacientes e aprovou. Nesta quinta-feira, ele e seu irmão, Douglas, fizeram uma demonstração do uso do novo equipamento durante o congresso II Ciclo de Estética Prof. Dr. Dirceu Vieira, que termina nesta sexta-feira no Palácio de Convenções do Anhembi e do qual participam cerca de 3 mil dentistas e estudantes de odontologia.Eles montaram um consultório no local, com paredes de vidro e transmissão das imagens do tratamento para o auditório. Enquanto a equipe de Douglas atende os pacientes, Dirceu explica para o platéia os procedimentos que estão sendo feitos."Além de causar menos dor e ruído, ela também produz menos resíduos microscópicos, que normalmente ficam na cavidade do dente que está sendo preparada", explica. "São pedacinhos de esmalte e outras partes do dente, além de bactérias, que precisam ser retiradas. Com a broca de diamante, isso é mais fácil de fazer."O operador da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), Alessandro Reis, de 26 anos, foi o paciente tratado com o novo equipamento, durante a demonstração desta quinta. "Essa broca causa menos dor e não é irritante como a outra", disse, depois de levantar da cadeira do dentista. "Agora, quem tinha medo daquele motorzinho, como eu, não precisa mais ter. Essa broca é menos estressante."A nova broca surgiu de um trabalho que vem sendo realizado há mais de 10 anos no Inpe. "Estudamos e criamos diamantes artificiais para aplicações espaciais", explica Airold. "Para isso, usamos a tecnologia conhecida como Deposição Química na Fase Vapor (do inglês Chemical Vapor Deposition - CVD)."O diamante se desenvolve por deposição química, em superfícies metálicas, dos gases metano e hidrogênio a baixa pressão e alta temperatura. No final do processo, resta apenas o carbono (oriundo do metano) puro, na forma de diamante, que pode crescer em superfícies de qualquer formato. Como a ponta de uma broca."

Agencia Estado,

05 de dezembro de 2002 | 21h08

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