Nova diretriz deixa Nasa sem destino na exploração do espaço

Essa incerteza pode não cair bem no Congresso americano, que vai submeter o chefe da Nasa a uma sabatina

Seth Borenstein. da AP,

23 Fevereiro 2010 | 19h01

Para onde, agora? Trata-se de uma questão simples que a Nasa não tem mais como responder com facilidade. A velha frota de ônibus espaciais está a poucos meses da aposentadoria, e a Casa Branca cancelou o plano anterior de voar para a Lua.

 

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Pela primeira vez, a agência espacial não tem um destino específico para sua próxima parada, embora haja muito lugares para onde gostaria de ir. O futuro do voo espacial, dizem autoridades, depende de novas tecnologias de propulsão e de suas capacidades.

 

Essa incerteza pode não cair bem no Congresso americano, que vai submeter o chefe da Nasa, Charles Bolden, a uma dura sabatina nesta semana, nas primeiras audiências após o cancelamento da missão lunar proposta pelo ex-presidente George W. Bush.

 

Há poucos lugares no espaço para onde seres humanos poderão ir nas próximas duas décadas. A Nasa quer visitar todos, com o destino final sendo Marte.

 

"O conjunto de destinações não mudou com o tempo", disse a vice-administradora da Nasa,  Lori Garver. "A Lua, asteroides, Marte... Se você vai a algum lugar, é para onde você vai".

 

Mas, em todo itinerário, há uma primeira parada. Qual?

 

Pergunte de novo daqui a alguns anos, quando a tecnologia estiver desenvolvida o bastante para responder à questão, disse Garver. O presidente Barack Obama planeja transferir bilhões de dólares do programa lunar de Bush para o desenvolvimento de melhores foguetes.

 

"A melhor maneira de ir a algum lugar é investir para valer nas tecnologias que reduzirão custos, reduzirão o tempo, reduzirão o risco, e assim por diante", disse ela.

 

Algumas dessas tecnologias soam como ficção científica. As possibilidades citadas por especialistas incluem o equivalente orbital de um posto de combustível, foguetes de propulsão elétrica, foguetes nucleares, naves espaciais com módulos infláveis e a transmissão de energia para o espaço por meio de feixes de radiação.

 

O ex-astronauta Franklin Chang-Diaz, que desenvolveu umprojeto de propulsão elétrica chamado VASIMR que a Nasa menciona especificamente, disse que a nova ênfase é bem-vinda, especialmente porque, há seis anos, a Nasa havia matado seu programa de tecnologia avançada de foguetes.

 

"Nós claramente precisamos de um salto tecnológico se realmente quisermos ir para Marte", disse ele. "Não irem,os a Marte com foguetes químicos".

 

Foguetes químicos são o que sempre foi usado para ir ao espaço, e exigem o transporte de grandes quantidades de combustível. Propulsão elétrica teria uma relação de quilômetro por litro melhor, mas não é capaz de gerar empuxo suficiente para sair da superfície da Terra.

 

E para alguns críticos, a tecnologia é menos importante que o destino. O senador Bill Nelson, que presidirá a audiência de quarta-feira, planeja pressionar por um compromisso com algum tipo de plano concreto.

 

"O presidente é a única pessoa que pode liderar o programa espacial, e ele tem de determinar a meta", disse Nelson. "Ele precisa dizer para onde estamos indo e deixar a Nasa criar a arquitetura para isso".

 

O ex-administrador-associado da Nasa Alan Stern disse estar aguardando para ouvir o que as autoridades da Nasa dirão ao Congresso, mas também está preocupado com a falta de um destino claro.

 

"Precisamos de uma destinação e de um cronograma, e essas coisas estão fazendo falta", disse Stern. ele afirmou que contar com a tecnologia para ditar o local "soa como um programa para lugar nenhum".

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