Nova droga contra a aids entra em teste

O governo dos Estados Unidos aprovou a realização de testes de uma droga experimental contra a aids, potencialmente muito cara, que poderia prolongar a vida dos pacientes infectados com cepas do HIV resistentes a outros remédios. Chamado Fuzeon pelas farmacêuticas Roche Group e Trimeris Inc. o medicamento recebeu um prazo de prova de seis meses por parte da Administração de Drogas e Alimentos dos EUA. As empresas pretendem lançar o remédio no mercado no segundo trimestre do próximo ano."Todo mundo está esperançoso com a droga", disse Martin Delaney, fundador e diretor do Projeto Inform, um grupo propulsor de novos remédios e tratamentos contra a aids. "É um acontecimento significativo. No entanto, estamos terrivelmente apreensivos com relação ao preço."A Roche, com sede na Suíça, e a Trimeris (EUA) se negaram a falar dos custos até que o Fuzeon seja aprovado, embora tenham indicado que o novo medicamento é complicado de se produzir e será mesmo caro. Os especialistas acreditam que ele terá um custo de entre US$ 10.000 e US$ 15.000 ao ano, por paciente.Os remédios mais caros contra a aids custam hoje cerca de US$ 7.500 ao ano, embora alguns tratamentos combinados se aproximem dos US$ 15.000 anuais.Para o diretor de fármacos da empresa Roche, James Thommes, o custo do Fuzeon deveria ser considerado em perspectiva, já que ele evita que os pacientes passem temporadas caras hospitalizados e prolonga a vida. "Ninguém quer que as empresas farmacêuticas deixem de considerar formas de tratar a aids" devido ao tema dos preços, afirmou.A nova droga é a primeira de uma classe chamada inibidores de fusão, projetada para impedir que o HIV entre nas células do sangue. Ela atua na terceira etapa deste processo de entrada, chamado de fusão.A Roche começou há dois anos a montar uma fábrica para produzir especialmente o Fuzeon, quando havia sido completado somente um estudo sobre sua eficácia com 28 pacientes. A instalação foi organizada para produzir Fuzeon suficiente para 25.000 pacientes até o final de 2003 e para 40.000 pacientes em 2004.A nova droga foi descoberta por dois pesquisadores na Universidade Duke, Dai Bolognesi e Tom Matthews, que fundaram depois a empresa Trimeris. O medicamento deve ser injetado duas vezes ao dia.

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