Nova estratégia da Nasa priorizaria Marte e não a Lua

A proposta sugere também que as verbas da Nasa sejam usadas para atrair empresas comerciais

IRENE KLOTZ, REUTERS

08 Setembro 2009 | 17h46

Uma nova estratégia proposta para a Nasa deixaria de lado a ideia de priorizar a volta de humanos à Lua e daria ênfase a uma futura viagem a Marte, incluindo serviços comerciais de lançamentos espaciais, segundo um documento obtido pela Reuters.  

 

documento Veja o resumo oficial do relatório do comitê que analisou as opções da Nasa

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A proposta, ainda não oficializada, é uma resposta da agência espacial norte-americana para uma das cinco opções contidas em uma análise encomendada pelo presidente Barack Obama.

A comissão responsável por esse trabalho disse em seu site que entregaria na terça-feira suas conclusões à Casa Branca e ao administrador da Nasa. O texto já pode ser lido online, num dos links acima.

A Nasa já gastou 7,7 bilhões de dólares, de um total previsto de 40 bilhões, para o desenvolvimento de um novo foguete e de uma cápsula para o transporte de tripulantes para a Estação Espacial Internacional e para a Lua, disse Jeff Hanley, gerente do programa conhecido como Constellation, destinado a substituir os ônibus espaciais, que serão aposentados em 2010 ou 2011.

Mas, diante da revisão feita pela comissão presidencial, a Nasa preparou uma proposta conceitual chamada "Generation Mars" ("geração marte"), que antevê uma tecnologia a ser desenvolvida ao longo de 30 anos, o que inclui missões precursoras a asteroides e outros destinos, bem como a construção de apoio popular para uma eventual expedição tripulada a Marte.

A proposta sugere também que as verbas da Nasa sejam usadas para atrair empresas comerciais para o negócio do serviço de transporte de viajantes com destino à Estação Espacial Internacional.

"Pode-se dizer que Marte é um destino, mas realmente Marte é mais um objetivo, porque não estamos marcando uma data," disse em entrevista Leroy Chiao, ex-astronauta e membro da comissão de dez integrantes que fez a revisão.

"Isso equivale a dizer que estas são as coisas que precisamos fazer para construir a infraestrutura para chegar a Marte, este é o dinheiro que temos agora, e nos próximos ciclos orçamentários percebermos quando poderemos realmente chegar a Marte," acrescentou.

A proposta "Generation Mars" se encaixa em uma das opções apresentadas pela comissão presidencial, a de adotar uma abordagem flexível para a exploração, começando com uma prorrogação de cinco anos no funcionamento da Estação Espacial Internacional, cujo limite iria até 2020, e no desenvolvimento de um novo foguete de lançamento.

Tanto a proposta da Nasa quanto as da comissão preveem o uso da Estação Espacial Internacional para testar tratamentos médicos, equipamentos de apoio à vida e sistemas alternativos de propulsão que sirvam para a eventual viagem a Marte.

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