Nova lista de animais em perigo de extinção traz 395 espécies

Macaco-prego, veado-bororó-do sul, borboletas e três tipos de baleia (azul, fin e sei) estão entre as 395 espécies incluídas na nova Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção, divulgada nesta quinta-feirano Dia Internacional da Diversidade Biológica.A relação, que não era atualizada desde 1989, mantém o tamanduá-bandeira, a onça pintada, o lobo-guará e o mico-leão-dourado, que, durante muitos anos, simbolizou a luta em defesa de animais, em perigo de extinção no Brasil. ?Lista é ponta de iceberg??A recuperação da fauna é bandeira do nosso trabalho?, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que lançou edital no valor de R$ 6 milhões para projetos voltadosà preservação e recuperação das espécies ameaçadas. A lista foi preparada por técnicos e pesquisadores do Ministério do Meio Ambiente, da Fundação Bioversitas e da Sociedade Brasileira de Zoologia.?Esta lista é a ponta de um iceberg?, comentou o ambientalista Paulo Nogueira, explicando que muitas espécies não apareceram na relação nacional, mas já estão extintas em determinados Estados. Mas ele comemora ainclusão da jacutinga, uma ave que foi abundante no Rio de Janeiro e constou do cardápio do último baile na Ilha Fiscal, no dia anterior à Proclamação da República.Peixes e invertebrados marinhos ficaram de foraAssim como a relação anterior, a nova lista não incluiu peixes e invertebrados marinhos, apesar da recomendação da comunidade científica. Eles ainda passarão por maisanálises. O diretor de Fauna e Recursos Pesqueiros do Ibama, Rômulo Melo, explicou que a inclusão dessas espécies na lista implicaria proibição da pesca. ?Se issoocorresse, toda a comunidade que sobrevive da captura do caranguejo-sá, por exemplo, estaria fadada à fome e à miséria.?O secretário de Biodiversidade do MMA, João PauloCapobianco, esclarece que para proibir um direito são necessários argumentos fortes. Caso contrário, se alguém fosse preso levantaria questionamentos jurídicos quepoderiam acabar desqualificando a lista inteira de animias com risco de extinção.Insetos foram incluídosA nova lista traz inúmeros insetos, besouros existentes apenas em cavernas e aves que estão ameaçadas pelo tráfico ilegal, como a ararinha-azul-de lear, que chega a ser vendida por US$ 40 mil.A relação também traz arara-azul do Sul e maçarico-esquimó, que já desapareceram definitivamente da natureza, segundo informa o presidente da Fundação Bioversitas, Angelo Machado, ambientalista e escritor de livros infantis e um dos coordenadores da pesquisa.CobrasDa lista anterior, que se resumia a 219 espécies, foram excluídos o jacaré-de-papo-amarelo, a lontra e o gato-do-mato, entre outros. A cobra surucucu, que estava na listaantiga, já não corre risco de extinção e cedeu lugar a outros três tipos de jararacas.?As jararacas são venenosas, mas já salvaram mais vidas do que mataram?, assegurou Machado. Ele afirma que, no veneno da jararaca, há uma substância que ajuda a controlar a pressão alta. Um laboratório americano lançou no mercado um medicamento que usa a substância, descoberta por cientistas brasileiros.A exemplo da jararaca, o pesquisador teme que outras plantas contenham princípios que possam salvar vidas e, no entanto, estejam com sua preservação ameaçada. Por isso, defende a preparação de uma lista de plantas ameaçadas de extinção.

Agencia Estado,

22 de maio de 2003 | 17h43

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