Nova ministra do Meio Ambiente defende política "cautelosa" para transgênicos

A senadora Marina Silva (PT-AC), indicada pelo presidente eleito, Lula da Silva, para ser ministra do Meio Ambiente, defendeu, hoje a adoção de uma política "cautelosa" em relação aos produtos geneticamente modificados (transgênicos) que, no entanto, não paralise as pesquisas do setor. "Precisamos que a política seja cautelosa, mas que isso não signifique a paralisação da pesquisa, como na Embrapa, que é fundamental", disse.A senadora frisou que todos os testes feitos, até agora, sobre os impactos de produtos transgênicos no meio ambiente foram realizados em áreas com biodiversidade bem mais pobre do que a brasileira. Por isso, ela defendeu a necessidade de prosseguir com as pesquisas no Brasil para se avaliar, com segurança, quais serão os impactos em um país com biodiversidade ampla como a do Brasil. Defendeu também as pesquisas voltadas para os possíveis impactos desses produtos na saúde dos consumidores.Eixos estruturantesA ministra indicada do Meio Ambiente disse que o cargo é "um grande desafio" e agradeceu a Deus "pelas oportunidades" que lhe tem dado e a Lula por tê-la indicado para assumir a coordenação de política ambiental no País. A senadora disse que sua gestão no Ministério terá três "eixos estruturantes". O primeiro é o de uma política que integre todas as ações do governo. "Teremos que assumir a transversalidade necessária para que todos os setores do governo compreendam a necessidade do desenvolvimento sustentável", disse. Segundo ela, a sustentabilidade precisa ser econômica, social, cultural, política e ética.O segundo eixo, disse, é a aplicação de uma política ambiental para um País "megadiverso, com a maior floresta do planeta, a maior biodiversidade e maior reserva de água doce. Para fazer frente a este imenso patrimônio, precisamos de toda a sociedade." Marina Silva alertou que, sem controle social, a política não terá êxito. Ela convidou a sociedade a ter uma "participação informada, com condições de decidir e não apenas legitimar as ações do governo".O terceiro eixo, segundo a senadora , é o do desenvolvimento sustentável. "Fico feliz porque (os nomes dos ministros da) Agricultura, Desenvolvimento e Relações Exteriores foram anunciados juntos. Isso sinaliza a necessidade dessa política transversal".A senadora afirmou que o presidente eleito tem demonstrado ser um excelente manejador de competências. "Lula usará toda essa capacidade em relação à sociedade", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.