Nova técnica descobre planeta a 5 mil anos-luz

Utilizando uma nova técnica que será adotada para a busca por planetas semelhantes à Terra, astrônomos descobriram um mundo distante do Sistema Solar, um lugar onde as nuvens e os pingos de chuva são compostos de ferro. Uma equipe do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica descobriu o planeta orbitando uma estrela a 5.000 anos-luz da Terra ao detectar a minúscula redução da luminosidade da estrela, causada pela passagem do mundo recém-descoberto pela linha de visão do telescópio.A técnica foi comparada a observar a sombra de um mosquito voando na frente de um holofote a 300 quilômetros de distância. Mais de cem planetas orbitando estrelas que não o Sol - os chamados extra-solares - foram descobertos medindo-se o efeito da gravidade planetária sobre a estrela. A nova descoberta foi a primeira a usar a técnica da ?sombra?, batizada como busca de trânsito, que se volta diretamente para a redução da luminosidade.Dimitar Sasselov, líder da equipe Harvard-Smithsonian, disse que o planeta foi descoberto em órbita de uma estrela mais próxima do centro da galáxia que o Sol. É um mundo um pouco menor que Júpiter, sua órbita é muito próxima à estrela cerca de 20% da distância entre a Terra e o Sol. Um ?ano? do novo planeta dura apenas 29 dias. Esse período curto de translação foi fundamental para que a descoberta fosse confirmada rapidamente, explicou Sasselov.Acredita-se que o novo planeta tenha uma temperatura atmosférica da ordem de 1700º C, suficiente para vaporizar a maioria dos metais. ?Este é o planeta mais quente conhecido?, disse Sasselov. ?É quente o bastante para ter névoas de ferro, e chuva de ferro fundido?.A importância da descoberta, disse ele, é que prova que a técnica de trânsito funciona, e aumenta as chances de que planetas semelhantes à Terra venham a ser encontrados.A Nasa prepara um programa, chamado Kepler, que usará um observatório orbital e a técnica de trânsito para buscar por novas Terras.O objetivo final é procurar por planetas que tenham o tamanho da Terra e estejam aproximadamente à mesma distância de suas estrelas que a Terra está do Sol - 149 milhões de quilômetros - o centro da chamada zona habitável, onde é possível haver água em estado líquido e temperaturas moderadas, condições necessárias para a vida como a conhecemos.

Agencia Estado,

07 de janeiro de 2003 | 16h57

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