Nova teoria pode determinar busca de vida em Marte

Um geólogo afirma que os misteriosos sulcos na superfície de Marte foram provavelmente causados por neve derretida que se acumulou nos pólos por milhares de anos. Se a teoria estiver certa, poderá ajudar a determinar se algum dia houve vida no planeta.Apesar de Marte hoje ser bastante frio, a pesquisa sugere que correntes de água poderiam ter provocado os sulcos nas latitudes centrais (próximas ao Equador do planeta) desde cerca de meio milhão de anos.Água em estado líquido pode ser uma fonte potencial de vida, apesar de a maioria dos cientista sustentarem que Marte tem sido frio e estéril há bilhões de anos.Há várias explicações para os sulcos marcianos. Algumas teorias gestadas sugerem que os canais se formaram por água que emanou do subsolo. Outras dizem que dióxido de carbono, formado na atmosfera, caiu sobre o planeta.No estudo publicado pela revista Nature desta quarta-feira o geólogo da Universidade do Arizona Philip Christense propõem outra fonte para a água que escavou canyons em Marte: neve derretida e alterações no eixo de Marte, que entre 100 mil e 1 milhão de anos, pode variar até mais de 20 graus.A teoria de Christense é a seguinte:Quando o eixo de um planeta se inclina, muda-se a maneira como os raios solares incidem sobre os pólos. Dependendo da posição do planeta em relação ao eixo, a luz do Sol incide mais intensamente em um dos pólos. O calor cria vapor que logo se converte em neve e se precipita sobre as latitudes centrais.Durante a translação do planeta, os raios passam a incidir mais diretamente sobre o equador do planeta e a neve é desgelada. A água então escorre pelo revelo formando os sulcos.Christense disse que desenvolveu a teoria após examinar as imagens tomadas há cinco anos pela sonda Surveyor, que fotografou a superfície marciana. ?Nós pensávamos que toda a atividade aquática de Marte tinha ocorrido próximo a origem do planeta e hoje e atualmente ele está frio e congelado. Mas chegaram essa fotografias e dissemos ?pare?, a água em marte é recente?. ?É um processo ativo, não é um processo morto. Marte não é um planeta morto?A presença de água em Marte poderia ser importante como um habitat, mas também como fonte de hidrogênio e oxigênio para futuros astronautas, lembrou Christense.Para o Bruce Jacosky, diretor do centro de astrobiologia da Universidade do Colorado, a teoria de Christense é ?bastante intrigante?, mas precisa de mais provas. ?Eu acho que ele está no caminho certo. A teoria é interessante porque na neve pode conter vida, disse Jacosky.Dois robôs devem seguir a Marte ainda este ano para recolher dados que podem ajudar a confirmar se a teoria de Christense está correta, disse John Mustard, da Brown University.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2003 | 17h24

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