Novas tecnologias mudam o dedo polegar

Há uma mutação em curso, que atinge milhões de adolescentes e jovens pelo planeta. Uma habilidade específica dos menores de 25 anos está provocando a transformação muscular dos dedos polegares das duas mãos, resultado da utilização em massa, desde a infância, de joysticks, consoles de videogames, certos teclados de computadores e, mais recentemente, telefones celulares. No Japão, por exemplo, a garotada se autodenominou Tribo do Polegar.Um estudo realizado na universidade britânica de Warwick, sob o comando de uma catedrática em ciência moderna, doutora Sadie Plant, mostra que as novas tecnologias estão acelerando o processo de fortalecimento muscular dos dedos polegares a extremos antes inimagináveis.Plant fundou, dentro de Warwick, a Unidade de Investigação de Cultura Cibernética e passou seis meses estudando jovens e crianças de algumas das maiores cidades do mundo, antes de concluir que os dedos polegares desse universo pesquisado além de mais fortes estão mais ágeis."É especialmente interessante descobrir que as gerações mais jovens estão utilizando os polegares de forma diferente, por instinto", diz Plant."Ações em que normalmente usamos os outros dedos, como o indicador, são feitas pelos jovens com os polegares." Os telefones celulares são, segundo Plant, o principal sinal de que a mecânica nos adultos é diferente. Enquanto normalmente o adulto utiliza o indicador para teclar, os jovens manipulam o celular com tal habilidade que o polegar cumpre todas as funções, com eficiência e rapidez.O estudo foi proposto em cidades como Londres, Beijing, Chicago e Tóquio e conclui também que os polegares são utilizados com mais freqüência até mesmo nos teclados de computadores, para enviar e-mails e navegar na internet. A grande habilidade dos garotos com os polegares foi especialmene notada em Tóquio, onde o celular se transformou com rapidez em acessório indispensável.Ali, Sadie Plant descobriu que os próprios jovens se denominam "oya yubi sedai", a Tribo do Polegar. E produziu uma de suas conclusões: "A relação entre as novas tecnologias e seus usuários é mútua, estamos mudando uns aos outros e vive-versa."

Agencia Estado,

01 de abril de 2002 | 21h34

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