Novas terapias têm bons resultados contra Alzheimer

Terapias experimentais contra a doença de Alzheimer, incluindo o derivado de um analgésico, infusão de plantas chinesas e um coquetel de anticorpos, tiveram resultados preliminares animadores, de acordo com estudos apresentados nesta semana no 1.º Congresso Internacional sobre Prevenção do Alzheimer, em Washington.Vários destes tratamentos apontam para a péptido-beta-amilóide, pequena proteína anormal que parece ser responsável pela destruição de células nervosas, ao provocar o acúmulo de placas de gordura em suas membranas, que as afogam. As fases avançadas do Alzheimer estão sempre associadas ao acúmulo desta proteína no cérebro."A grande maioria dos pesquisadores pensa que, se eliminarmos a beta-amilóide, o Alzheimer pode ser derrotado", comentou William Thies, um dos diretores da Associação Americana de Luta contra o Alzheimer.Proteína e coquetelDuas novas armas experimentais testadas contra a beta-amilóide com resultados animadores foram apresentadas.Um teste clínico com Flurizan (Flurbiprofen), do laboratório Myriad Genetics, começou em janeiro de 2005. Esta nova molécula age diminuindo a concentração de proteína péptido-beta-amilóide no cérebro.A segunda terapia se baseia na Globulina Intravenosa (IVIG), um coquetel de anticorpos proveniente do sangue de doadores, que já foi testado com outras doenças. Um teste clínico com IVIG durante seis meses em um pequeno número de doentes apresentou redução média de 45% na concentração da péptido-beta-amilóide, comentou Marc Weksler, professor de Medicina da Universidade de Cornell, em Nova York.A eficácia da IVIG ainda deve ser verificada em um estudo mais amplo financiado pelo Instituto Nacional Americano de Saúde e o laboratório Baxter Pharmaceutical.Insulina nasal e ginsengOutra abordagem foi a apresentada por Suzanne Craft, da Faculdade de Medicina da Universidade de Virgínia, segundo a qual secreções anormais de insulina reduzem o nível deste hormônio, essencial para o equilíbrio químico do cérebro.A aplicação intranasal de insulina, que desse modo chega mais diretamente ao cérebro, produziu melhoras de memória em pessoas na primeira fase de Alzheimer, ou com problemas cognitivos leves.O professor Jinzhu Tian, do Hospital Dongzhimen, de Pequim, testou uma infusão medicinal batizada Geto, à base de ginseng e da planta epimedium, em 75 pessoas de pelo menos de 65 anos. As que tomaram Geto por três meses registraram uma nítida melhora em suas funções mentais, se comparado às que tomaram um placebo.Diagnóstico precoceUma equipe da Universidade de Nova York (EUA) propõe que o diagnóstico precoce de Alzheimer - nove anos antes de os sintomas surgirem - pode ser feito pelo escaneamento do cérebro. O hipocampo (ligado à memória) seria o primeiro a sentir os efeitos da doença. Eles também recomendam mais estudos antes que exames preventivos sejam largamente recomendados.O diretor do Centro de Investigação sobre o Mal de Alzheimer da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, Steven DeKosky, comemorou o fato de que "a diversidade de abordagens" no tratamento da doença conduza "a certo grau de êxito"."A urgência por desenvolver tratamentos mais eficazes contra o Alzheimer - cuja causa continua sendo desconhecida - exige que exploremos todas as vias possíveis", disse ele.A doença de Alzheimer - uma degeneração irreversível do sistema nervoso central - afeta cerca de 18 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Agencia Estado,

21 de junho de 2005 | 12h41

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