Novo método de triagem encontra droga contra 'barriga d'água'

Esquistossomose pode ter tratamento aperfeiçoado por novo remédio que ainda não encontrou patrocínio

17 de março de 2008 | 19h26

Um novo sistema de triagem de produtos químicos em série, para ver se funcionam contra doenças negligenciadas, teve sua primeira vitória: uma possível nova droga contra esquistossomose. No entanto, a droga não chegará aos milhões que precisam dela por falta de recursos disponíveis para a continuação das pesquisas e testes clínicos.   A esquistossomose (popularmente conhecida como "barriga-d'água") é causada por um parasita de caramujos que penetra a pele durante contato com águas infectadas, eventualmente colocando ovos no fígado e na bexiga. Ela infecta 200 milhões de pessoas por ano no mundo todo, principalmente na África, e mata 280 mil.   Apesar da importância de seu tratamento, a única droga usada amplamente é o praziquantel, introduzido na década de 1980.   Quando uma infecção é tratada com apenas uma droga, sua resistência ao medicamento pode se desenvolver em pouco tempo. Apesar disso, ocorrências de resistência terem sido raras para a esquistossomose até agora, disse David Williams da Universidade de Illinois.   Resistência crescente   Devido ao seu complicado ciclo de vida dentro de pessoas e caramujos, e por que muitos casos em humanos não são tratados, relativamente poucos vermes foram expostos ao medicamento.   No entanto, com o reforço recente de campanhas contra a esquistossomose pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e ações de caridade como as do Carter Center, o uso da droga tem se ampliado cada vez mais.   "Casos mais resistentes são cada vez mais prováveis", disse Williams, "a não ser que possamos evitá-los combinando o uso do praziquantel com outra droga que trabalhe de maneira diferente."   Para achar essa droga, a equipe de Williams se voltou para a Molecular Libraries Initiative do Chemical Genomics Center of the US National Institutes of Health.   Financiamento vital   Lá eles testaram grande número de produtos químicos em busca de algum que pudesse bloquear uma enzima única e vital para o esquistossomo, que protege os vermes de serem destruídos pelos radicais livres do oxigênio.   Eles encontraram diversas possibilidades, a melhor delas parece ser segura para mamíferos, e em baixas doses mataram esquistossomos em tubos de ensaio e ratos.   Melhor ainda, ela funciona por um mecanismo diferente do praziquantel, de maneira que seria difícil os vermes desenvolverem resistência a ambos. Ela ainda funciona melhor nos vermes adultos, o estágio do ciclo de vida desse organismo em que a maior parte das pessoas são tratadas.   Williams agora quer testar versões diferentes do novo medicamento para encontrar o mais seguro para humanos, e ainda assim, muito mortal para os vermes.   Ele espera que testes em humanos possam começar em 5 anos, mas a equipe vai precisar de um parceiro com muito dinheiro para conseguir levar a droga pela fase de testes clínicos. Como sempre com a esquistossomose, disse Williams, "o financiamento agora é a chave".   (com informações de New Scientist) 

Tudo o que sabemos sobre:
esquistossomosenovo medicamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.