Novo telescópio da Nasa vê uma explosão no espaço por dia

O Glast passa a se chamar Fermi, em homenagem ao físico italiano Enrico Fermi, um dos gignates da física

Carlos Orsi, estadao.com.br

26 de agosto de 2008 | 14h55

O Telescópio de Raios Gama de Grande Área (Glast, na sigla em inglês) passa a se chamar Telescópio Fermi de Raios Gama, em homenagem ao físico italiano Enrico Fermi (1901-1954), ganhador do Nobel em 1938 uma das maiores figuras da história do campo da física de partículas. O novo nome foi anunciado nesta terça-feira, 26, juntamente com a apresentação do primeiro mapa de raios gama do céu feito pelo telescópio, lançado em junho. O mapa do Fermi foi feito em 95 horas, enquanto que missões anteriores precisaram de anos para obter uma imagem similar.   Veja também:  Nasa lança observatório para explorar raios gama no espaço   Cientistas ligados à missão anunciaram também que o Fermi conseguiu detectar uma explosão de raios gama ao dia, durante seu primeiro mês de operação. "Eu esperava que ele conseguisse ver umas 200 explosões ao ano, mas pelo jeito serão mais de 300", disse Charles Meegan, o responsável pelo instrumento que captou as detonações.   Explosões de raios gama são os eventos mais energéticos do universo, e os cientistas ainda não têm um conhecimento preciso do que as provoca - acredita-se que possam ser causadas pela explosão de uma estrela ou pela fusão de estrelas de nêutrons.   "Está tudo funcionando muito melhor que o esperado", disse Steve Ritz, outro cientista ligado ao projeto. Embora os resultados apresentados nesta terça, em entrevista coletiva realizada pela Nasa, basicamente só confirmem ou aprofundem dados obtidos por outros equipamentos, os cientistas participantes destacaram o curto período de funcionamento do telescópio e a velocidade com que os resultados surgiram. "Esperem mais uns anos", disse Meegan.   O diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa, Jon Morse, referiu-se ao Fermi como a "máquina radical". "O ritmo das descobertas será emocionante pelos mpróximos meses e anos", prometeu, lembrando que o Fermi completa uma varredura do céu a cada três horas. Raios gama são produzidos no espaço pela desintegração ou aquecimento de partículas, no núcleo de galáxias, em nuvens de gás e na vizinahnça de buracos negros.   Entre os objetivos do Fermi está testar algumas teorias sobre a natureza da misteriosa matéria escura que dá coesão às galáxias, detectando raios gama que seriam a "assinatura" desse tipo de partícula. "Separar os raios gama da matéria escura dos raios de outras fontes não vai ser fácil", reconheceu Meegan. "Possivelmente, precisaremos de mais um ano".   Detectar partículas que podem ser responsáveis pela matéria escura também é parte da missão do Grande Colisor de Hádrons, o LHC, um gigantesco acelerador de partículas que será ativado na Europa em setembro.  O diretor associado de Fìsica de Altas Energias do Departamento de Energia dos EUA - um dos patrocinadores do Fermi - Dennis Kovar, disse que os esforços dos dois instrumentos, na Terra e no espaço, serão complementares nesse sentido.   Ampliada às 16h17

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