Novo tratamento do Mal de Chagas utiliza células-tronco

O tratamento da forma convencional e mais comum de contágio do Mal de Chagas que lesa o coração da pessoa contaminada num processo longo, mas que em 80% dos casos pode levar à morte, ganhou uma nova técnica com a utilização de células-tronco. O programa vem sendo desenvolvida há três anos na Bahia pela equipe do cardiologista paulista Ricardo Ribeiro, que atua no Hospital Santa Izabel de Salvador com total apoio da Fundação Osvaldo Cruz do Ministério da Saúde. A Bahia foi escolhida para o estudo do Mal de Chagas por ser o Estado com o maior número de pacientes com essa doença, dois milhões do total de seis milhões do País. Os pesquisadores descobriram que as células-tronco extraídas da medula óssea do próprio paciente têm a capacidade de regenerar tecidos lesados do coração. Além disso, elas eliminam as células que causam a inflamação do órgão provocada pelo Mal de Chagas. A técnica apresentou excelentes resultados nos 25 primeiros pacientes submetidos aos transplantes de células-tronco. Em cerca de um mês após a cirurgia eles já havia começado a recuperar a capacidade de bombeamento sanguíneo do coração. O novo tratamento entusiasmou tanto os médicos que o Ministério da Saúde vai patrocinar este ano um estudo nacional com 1.200 pessoas portadoras de quatro enfermidades cardíacas: enfarto agudo do miocárdio, doença isquêmica crônica do coração, cardiomiopatia dilatada e cardiopatia chagásica. Batizado de Estudo Multicêntrico Randomizado de Terapia Celular em Cardiopatias, a pesquisa nacional, prevista para ser iniciada no final de abril, será coordenada pelos núcleos da Fiocruz do Rio de Janeiro e Salvador. A verba disponibilizada para o estudo é de R$ 13 milhões, já incluída no orçamento do Ministério da Saúde.

Agencia Estado,

01 de abril de 2005 | 01h46

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