Número de espécies vegetais em extinção triplica em São Paulo

A nova lista de espécies vegetais ameaçadas de extinção no Estado de São Paulo, que deverá ser divulgada em junho ou julho, será cerca de três vezes maior do que a atual. A relação em vigor, publicada em 9 de março de 1998, contém 350 espécies, número que deverá saltar para algo entre 800 e 1.000. Isso representa cerca de 10% das 8.500 plantas catalogadas no Estado.O aumento da lista é resultado do aperfeiçoamento dos critérios para a definição do que é uma planta ameaçada de extinção. "A atual relação foi feita meio às pressas, para atender a um pedido de urgência do governo estadual", explica o biólogo Vinicius Castro Souza, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo, em Piracicaba. Souza é um dos coordenadores da comissão científica que está preparando a nova lista. "Ela não foi muito bem discutida pela comunidade científica."Há três anos, as Sociedades Botânica do Brasil e de São Paulo e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente decidiram que a lista deveria ser refeita, baseada em critérios mais científicos. "Depois disso, estabelecemos 11 critérios para a classificação das espécies ameaçadas de extinção", diz Souza. "Eles são mais universais. Definimos com mais precisão, por exemplo, os conceitos de distribuição geográfica restrita e baixa densidade populacional." Para preparar a nova lista, os cerca de 80 pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa envolvidos no trabalho saíram pouco a campo.Novas espéciesPor outro lado, Souza encontrou em 2003 uma planta desconhecida da ciência. "Ela estava em Araraquara, numa mata pouco conservada, próxima de uma plantação de eucalipto", conta. "Pertence ao gênero Gelsemiaceae e eu a batizei de Mostuea muricata. Embora só tenha sido descoberta agora, a espécie já será incluída entre as ameaçadas de extinção.Segundo Souza, o objetivo da lista não é apenas indicar os vegetais ameaçados de desaparecer. "Ela será usada para estabelecer ações para proteção das espécies", diz o biólogo. "A lista atual, por exemplo, é usada para embargar obras que atingiriam populações de plantas ameaçadas de extinção. A proteção dessas espécies também serve para seu possível aproveitamento econômico. O melhor conhecimento de cada planta ajuda a determinar seu uso ou estratégias eficientes para sua conservação."

Agencia Estado,

30 de janeiro de 2004 | 02h29

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