Números não são necessários para contar, diz pesquisa

Povos que não têm nome para números grandes se saem tão bem em teste quanto falantes de inglês

AP,

18 de agosto de 2008 | 18h23

Responda sem contar: há mais Xs aqui  XXXXXX ou aqui XXXXX? Isso é um problema para povos cujas línguas não têm palavras para números maiores que um ou dois. A despeito disso, pesquisadores dizem que crianças que só falam essas línguas são capazes de comparar quantidades.   "Defendemos que os seres humanos têm um sistema natural de enumeração que não depende de palavras", diz Brian Butterworth, do Instituto de Neurociência Cognitiva do University College London.   Para tentar provar a idéia, Butterworth comparou as perícias numéricas de crianças de dois grupos indígenas australianos, cujas línguas contêm poucos nomes de numerais, com a aptidão de crianças que falam inglês.   Todos os grupos se saíram igualmente bem, diz o relato publicado por sua equipe na edição desta terça-feira, 19, da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.   "Aptidões básicas com números e aritmética estão em um sistema inato especializado", disse o pesquisador. Ter um nome para cada número "é útil, mas não necessário", concluíram os pesquisadores.   Já a equipe de Edward Gibson, do departamento de ciências cognitivas e do cérebro do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, não se convenceu. Trata-se de uma pesquisa interessante, mas não permite a conclusão de que compreender os números com precisão dispensa a necessidade de linguagem, disseram.

Tudo o que sabemos sobre:
aritméticanúmerocérebro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.