O enigma dos buracos negros

Imagine só: existem lugares no universo onde a gravidade é tão forte, mas tão forte, que nem mesmo a luz consegue escapar deles. São os famosos e enigmáticos buracos negros, que há décadas desafiam a ciência e a imaginação dos admiradores do espaço.   Os buracos negros são ao mesmo tempo minúsculos e gigantescos, vazios, porém cheios de coisas e invisíveis, porém observáveis indiretamente.    Eles são formados pelo colapso de estrelas gigantes ou de grandes nuvens de gás no interior de galáxias. São tão "pesados", mas tão pesados, que formam uma espécie de poço sem fundo no espaço, do qual nada - nada mesmo - consegue escapar. Se alguém que você conhece cair lá dentro, pode dizer adeus.   Para entender como um buraco negro funciona (mais ou menos) é preciso entender como funciona a gravidade. Basicamente, a gravidade é uma força de atração entre dois corpos. No nosso caso, é a força que nos atrai constantemente "para baixo", em direção ao centro da Terra, e que nos mantém grudados à superfície do planeta. Caso contrário, sairíamos flutuando à deriva por aí.   Quando você joga uma pedrinha para o alto, é a gravidade que puxa ela de volta para baixo. Se você quiser jogar a pedrinha cada vez mais alto, precisa lançá-la com cada vez mais força e mais velocidade. Mas você jamais terá força suficiente nos braços para lançá-la ao espaço. Para isso, a pedrinha teria de ser acelerada a 11 quilômetros por segundo (ou 40.000 Km/h), que é a velocidade de escape da Terra - ou seja, a velocidade mínima que um objeto precisa atingir para vencer a atração da gravitacional do planeta. Não é à toa que o ônibus espacial precisa daqueles foguetes gigantescos para entrar em órbita!   Mas enfim, voltando aos buracos negros: a gravidade de um objeto varia de acordo com a sua massa. Quanto mais massa, maior a atração gravitacional que ele exerce sobre outros objetos. Se a Terra tivesse mais massa (fosse maior ou mais densa), sua força gravitacional seria maior e a velocidade de escape necessária para vencê-la, também. Pois então: os buracos negros têm massa tão grande e sua velocidade de escape é tão alta que nem mesmo a luz - a coisa mais rápida do universo, viajando a 300.000 quilômetros por segundo - consegue escapar de suas garras gravitacionais. Para ser mais específico (e confundir ainda o leitor), os buracos negros têm densidade infinita - uma quantidade enorme de massa espremida até um ponto super-ultra-minúsculo, que os físicos chamam de singularidade.   Em volta dessa singularidade forma-se uma fronteira esférica chamada "horizonte de eventos", que é o limite de onde a luz não consegue escapar. É o que nós enxergaríamos como o "buraco" propriamente dito. Só não enxergamos por um detalhe: se algo não emite luz, é invisível. Tudo que conseguimos ver é a radiação emitida por gases e outros objetos do entorno que são sugados para dentro do buraco - como se soltassem um último grito de adeus antes de desaparecer para sempre.   Os buracos negros são comuns no universo. Os astrônomos acreditam que a maioria das galáxias - inclusive a nossa - tenha um deles no meio (veja foto acima). Cientistas europeus acabam de divulgar os resultados de um estudo que utilizou o movimento das estrelas no centro da Via Láctea para inferir informações sobre o buraco negro que está lá dentro.   Segundo eles, nosso buraco tem massa equivalente a 4 milhões de Sóis e está a 27 mil anos-luz de distância de nós - por isso ninguém precisa se preocupar, porque a Terra jamais será sugada para dentro dele. O tamanho do buraco varia de acordo com a quantidade de massa que o originou, o que pode variar de algumas poucas até alguns bilhões de massas solares - tudo bem espremidinho em uma singularidade de densidade infinita. De fato, se você espremesse a Terra até ela ficar do tamanho de um bola de gude, ela também se transformaria num buraco negro. Ou até mesmo uma bola de papel amassado: se você espremê-la o suficiente, criará um buraco negro. Alguém se habilita a tentar?   Pense nisso a próxima vez que amassar alguma coisa.

11 de dezembro de 2008 | 17h21

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