Obama agradece ao papa Bento XVI e deseja 'o melhor' ao sucessor

Nota do governo dos EUA não demonstra surpresa ou faz avaliação da decisão do papa

Denise Chrispim Marin, Correspondente,

11 Fevereiro 2013 | 18h58

WASHINGTON - Com apenas oito linhas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, agradeceu ao papa Bento XVI o trabalho conjunto e saudou, sem ainda saber qual será a escolha da Igreja, o seu sucessor. A nota emitida pela Casa Branca teve apenas oito linhas corridas. Nelas, Obama sublinhou ter se recordado com a primeira-dama, Michelle, do afetuoso encontro de ambos com o papa, em 2009, quando visitaram o Vaticano.

"A Igreja tem um papel crítico nos EUA e no mundo, e eu desejo o melhor para aquele que será escolhido, em breve, como sucessor de sua santidade, o papa Bento XVI". O texto não trouxe nenhuma manifestação de surpresa do governo americano nem de avaliação da decisão tomada pelo pontífice.

Pelo menos dois católicos de expressão na cena política dos EUA manifestaram admiração. O presidente da Câmara dos Deputados, John Bohner, sublinhou que a decisão do papa revela sua "extraordinária humildade e amor pela Igreja" e lembrou sua visita aos EUA em 2008. Em tom de brincadeira, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, avisou que não vai concorrer pela sucessão do papa. Retomando a seriedade, lembrou ter sido recebido pelo papa por uma hora, no Vaticano, há alguns meses.

"Sua decisão reforça, para mim, que esse é um homem de grande integridade, que olha para o que pode ser melhor interesse para a nossa Igreja. Ele define um padrão incrivelmente elevado", disse Biden.

A demonstração de susto foi mais explícita nas declarações dos líderes da Igreja nos EUA, onde a religião é seguida por uma minoria, e a instituição se vê prejudicada por sucessivos escândalos sexuais. Designado por Bento XVI como cardeal de Nova York em 2012, Timothy Dolan se disse triste com a decisão inesperada.

"A renúncia de seu cargo é mais uma mostra de seu grande cuidado com a Igreja", afirmou Dolan, que também preside a Conferência dos Bispos Católicos dos EUA. "O papa Bento XVI tem um coração afetuoso, a mente incisiva de um erudito e a confiança de uma alma unida a seu Deus em tudo o que tem feito."

O arcebispo de Miami, Thomas Wenski, lembrou da aparência mais frágil do papa durante sua visita a Cuba, em março do ano passado. Especialmente, ao celebrar a missa em Havana. O colega de Wenski em Washington, Donald Wuerl, discordou dessa avaliação e mencionou seu último encontro com Bento XVI, em outubro passado. "Ele não só parecia muito alerta, como cheio de energia. Ele presidiu reunião atrás de reunião, e não havia dúvida de que estava em pleno domínio de suas faculdades", afirmou Wuerl.

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