Obama privatizará acesso ao espaço e abandonará volta à Lua

Verba que seria usada para levar astronautas de volta à Lua vai manter a Estação Espacial funcionando

Associated Press,

29 Janeiro 2010 | 14h28

O presidente Barack Obama vai, essencialmente, pôr fim aos esforços para levar astronautas de volta à Lua e dará um novo rumo à Nasa, com uma injeção orçamentária de cerca de US$ 6 bilhões, de acordo com autoridades familiarizadas com o plano. Parte desse dinheiro será usada como estímulo para que empresas privadas assumam a tarefa de levar astronautas ao espaço.

 

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Um representante da Nasa, que pediu para não ser identificado, confirmou informes publicados na quinta-feira, 28, de que quando o novo orçamento dos EUA for proposto, na segunda-feira, a Nasa receberá US$ 5,9 bilhões adicionais ao longo de cinco anos. parte do dinheiro prolongará a vida da Estação Espacial Internacional (ISS) até 2020. Ele também será usado como estímulo para que companhias privadas construam naves para levar astronautas à ISS depois da aposentadoria dos ônibus espaciais.

 

Voo de teste do foguete para astronautas Ares I, cujo desenvolvimento deve ser cancelado. Nasa

 

O dinheiro proposto pelo presidente não é suficiente para levar adiante o plano de retornar à Lua, lançado pelo então presidente George W. Bush e que já consumiu US$ 9,1 bilhões.

 

A questão central é o dinheiro. O plano de Bush falhou quando os acréscimos orçamentários, que deveriam ter começado há seis anos, não se materializaram.

 

A definição de um novo rumo para a Nasa ficou suspenso durante meses, enquanto uma comissão independente estudava as opções e a Casa Branca analisava os resultados. A escolha de Obama será apresentada oficialmente na segunda-feira.

 

"Certamente parece que a missão lunar de Bush não será incluída" no orçamento futuro, disse uma alta figura da Nasa.

 

O estudioso de política espacial John Logsdon, que tomou parte NP comitê de aconselhamento da campanha de Obama para questões espaciais, disse que o presidente está adotando a opção favorecida pelo Comitê Augustine, um grupo de especialistas reunido no ano passado. Essa opção inclui o uso de naves espaciais comerciais, a prorrogação da vida útil da ISS e uma "rota flexível" para a exploração espacial com astronautas, que poderia incluir o pouso humano em um asteroide ou nas luas de Marte.

 

"O que mata a missão lunar é a decisão de prorrogar a ISS até 2020", disse Logsdon. Isso significa que a eta de voltar á Lua até 2020 "está morta. Não podemos pagar pelo uso da estação por cinco anos adicionais e ainda ir à Lua".

 

Embora o programa Constellation, estabelecido para o retorno à Lua, esteja morto, "a exploração não está morta, e isso é importante", disse ele.

 

Defensores da missão à Lua e milhares de funcionários dos centros espaciais da Flórida, Alabama e Texas estão preocupados. Congressistas desses Estados vêm atacando a ideia de abandono do plano, e alguns têm cargos em comitês que podem bloquear os planos de Obama. Por exemplo, o senador Bill Nelson, da Flórida, preside o subcomitê de espaço do Senado. E a presidente do subcomitê de espaço da Câmara, deputada Gabrielle Giffords, é casada com um astronauta.

 

Em uma nota, a deputada Suzanne Kosmas, da Flórida, disse que a proposta de Obama "deixaria a Nasa essencialmente sem um programa e sem um cronograma para exploração além da órbita da Terra".

As informações sobre o plano espacial do presidente foram divulgados originalmente pelos jornais  Orlando Sentinel e Florida Today.

 

O plano lunar de Bush, anunciado após o desastre do ônibus espacial Columbia em 2003, em resposta à recomendação, feita por um comitê na época, de que a Nasa precisava de um novo foco para suas atividades. Bush propôs o retorno à Lua. O projeto envolveria dois foguetes, o Ares I, para levar astronautas ao espaço, e o Ares V, para transportar carga, além da nave Órion, que seria capaz de abrigar astronautas na órbita da Terra ou rumo a outros planetas.

 

Até agora, a Nasa gastou US$ 3,5 bilhões na criação do Ares I, US$ 3,7 bilhões na Órion e quase US$ 2 bilhões em outras atividades ligadas ao projeto.

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