Rene Moreira/Estadão
Rene Moreira/Estadão

Obra em Uberaba tem fósseis de 80 mi de anos

Restos de titanossauro e de outros animais pré-históricos foram achados em construção de condomínio; pesquisadores acompanham escavações

Rene Moreira, ESPECIAL PARA O ESTADO / FRANCA

17 Março 2015 | 03h00

A construção de um condomínio residencial no bairro São Bento, em Uberaba, Minas, possibilitou a descoberta de um tesouro paleontológico: fósseis de animais pré-históricos que habitaram a região há 80 milhões de anos, incluindo parte do fêmur de um titanossauro, espécie de dinossauro que atingia 20 metros de comprimento e pesava até 16 toneladas.

Os ossos estão sendo retirados por meio de acordo entre a construtora responsável pela obra e o Complexo Cultural e Científico de Peirópolis, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (CCCP-UFTM). O objetivo é preservar o patrimônio histórico resgatando o material encontrado para análises. 

Pesquisadores acompanham as escavações. A proposta é, no futuro, expor os fósseis no Museu dos Dinossauros, que fica no sítio arqueológico de Peirópolis, em Uberaba. Especialistas da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) confirmaram o potencial da área onde a obra é erguida.

O acordo para realização do trabalho de pesquisa no terreno envolveu o Ministério Público, acionado para evitar um novo problema. Isso porque, há dois anos, pesquisadores foram impedidos de trabalhar em outra obra na região - a construção de um shopping. Eles acreditam ter perdido materiais históricos importantes. Dessa vez, houve reunião e o empreendedor não criou impedimentos.

Segundo o paleontólogo Thiago Marinho, foram encontrados principalmente fragmentos de fósseis de titanossauros. “Também identificamos restos de tartarugas.” Pesquisas indicam que, na malha urbana de Uberaba, há rochas ricas em fósseis, com diversidade biológica grande, que inclui dinossauros carnívoros, tartarugas e crocodilos pré-históricos.

De acordo com estudos, rochas desse tipo compõem o terreno do empreendimento. Mas se não houver acompanhamento técnico das escavações, o patrimônio paleontológico poderia ser prejudicado, segundo especialistas. Por isso, o trabalho dos pesquisadores no local é contínuo. 

Para Marinho, o acordo com o empreendedor pode representar uma mudança de mentalidade, com a conscientização das empresas de que os achados paleontológicos não causam prejuízo. “Eles promovem o resgate do patrimônio do município e da União”, afirma.

A expectativa é de que, no futuro, os novos empreendimentos em Uberaba passem por uma vistoria prévia. Uma nota técnica emitida pelo Departamento Nacional de Produção Mineral já prevê o mapeamento paleontológico dessa área da cidade, com o objetivo de preservar os sítios pré-históricos.

Animal. O fêmur encontrado nas escavações do residencial pertence a um titanossauro que viveu há cerca de 80 milhões de anos na região. Esse tipo de dinossauro está entre os maiores do Brasil. Media cerca de 20 metros de comprimento e 3,5 metros de altura e pesava entre 12 e 16 toneladas.

No sítio arqueológico de Peirópolis, na zona rural de Uberaba, foi descoberto há alguns anos aquele que é considerado o maior dinossauro já descrito no Brasil, o Uberabatitan ribeiroi. A espécie foi reconstituída digitalmente a partir do estudo de dezenas de fósseis encontrados no local.

Foram dois anos de trabalho que revelam como seria sua vida na região. De acordo com o estudo, esses animais enfrentaram condições ambientais extremas, com muita aridez climática. Em Uberaba também teriam vivido outros titanossauros de menor porte, crocodilos, anfíbios, lagartos, peixes, tartarugas, invertebrados e até mesmo dinossauros carnívoros de pequeno e grande porte, como os abelissauros.

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