Observatório chileno descobre bolha de gás que forma estrelas

Expansão de bolha de gás ionizado provoca densas concentrações do material circundante

Efe

12 de novembro de 2008 | 20h27

Astrônomos do Observatório de Paranal, na região desértica chilena de Antofagasta, informaram nesta quarta-feira, 12, a descoberta de uma bolha de gás ionizado de 10 anos-luz de extensão, cuja expansão provoca densas concentrações do material circundante que provoca nascimento de novas estrelas. A causadora deste fenômeno é uma estrela situada em uma área chamada RCW120, a 4.200 anos-luz da Terra rumo à constelação de Escorpião, cujo centro está emitindo enormes quantidades de radiação ultravioleta, segundo um comunicado dos responsáveis deste projeto, denominado Atacama Pathfinder Experiment (Apex). A radiação, asseguraram os estudiosos, produz a ionização do gás circundante, processo durante o qual se extraem os elétrons dos átomos de hidrogênio e se produz o brilho vermelho característico da chamada emissão H-alfa. A onda expansiva desta zona ionizada, afirmam, se expande rumo ao espaço e a sua passagem varre uma camada de gás frio interestelar e do pó cósmico. Esta camada torna-se instável e colapsa sob sua própria gravidade em densas concentrações, formando frias nuvens de hidrogênio onde nascem novas estrelas, comentou o Apex. Quando as nuvens ainda estão muito frias, com temperaturas próximas aos 250 graus abaixo de zero, o frágil brilho que emitem pode ser visto em longitudes de onda submilimétricas, e isso permite estudar os períodos mais adiantados do nascimento e desenvolvimento das estrelas. Este fenômeno foi captado pela câmara Laboca do telescópio de 12 metros do Atacama Pathfinder Experiment. A sensibilidade desta câmara, localizada no plano de Chajnantor, a 5 mil metros de altitude no Deserto do Atacama, permitiu aos astrônomos detectar grupos de gás frio quatro vezes mais frágeis que os observados até agora. Como o brilho permite medir a massa, os astrônomos agora podem estudar a formação de estrelas menos maciças. No planalto de Chajnantor também está sendo construído um telescópio submilimétrico de nova geração, o chamado Atacama Large Millimeter-Submillimeter Array (Alma), que usará mais de 60 antenas de 12 metros conectadas umas às outras ao longo de 16 quilômetros para formar um único telescópio gigante. O telescópio Apex, baseado em uma antena protótipo construída para o projeto Alma, é fruto da colaboração entre o Instituto Max Planck de Radioastronomia, o Observatório Espacial Onsala e a Organização Européia para a Pesquisa Astronômica no Hemisfério Sul.

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