Observatório nos Andes anima astrônomos brasileiros

Um novo universo vai abrir-se para a astronomia brasileira dentro de uma semana com a inauguração do Observatório Gemini Sul, em Cerro Pachón, nos Andes chilenos.Pela primeira vez, os pesquisadores brasileiros terão acesso garantido a um telescópio internacional de grande porte, com tecnologia de ponta, para observar o universo de forma muito mais clara."Será um salto quântico para a astronomia nacional", comemora o gerente do Projeto Gemini no Brasil, Albert Bruch.O observatório, instalado a mais de 2.700 metros de altitude, utiliza um telescópio da classe de 8 metros, correspondente ao diâmetro do espelho. "É o maior que se pode fazer com a tecnologia atual", destaca Bruch, diretor-interino do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), em Itajubá, Minas Gerais.É lá que está instalado o maior telescópio brasileiro, de apenas 1,6 metro de diâmetro. O Keck, maior telescópio do mundo, no Havaí, tem 10 metros de diâmetro, mas utiliza um conjunto de 36 espelhos.O Gemini Sul foi construído por um consórcio de sete países, que inclui Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Chile, Austrália, Argentina e Brasil.O projeto, que custou US$ 184 milhões, inclui o observatório Gemini Norte, do mesmo porte, que já funciona há mais de um ano em Mauna Kea, no Havaí.Até então, os astrônomos brasileiros podiam usar grandes telescópios apenas por meio de colaborações com pesquisadores estrangeiros."Às vezes, você faz o projeto inteiro, mas, quando publica, não pode ser listado como autor principal", conta a pesquisadora Beatriz Barbuy, do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo. "Agora temos o direito de ser gente. Teremos o nosso reconhecimento."Cada nação recebe um tempo de uso correspondente a sua contribuição orçamentária. Os recursos investidos pelo Ministério da Ciência e Tecnologia - US$ 5 milhões - garantem aos astrônomos brasileiros oito noites de observação por ano em cada telescópio."Parece pouco, mas dá para fazer muita coisa", diz a astrofísica Thaisa Storchi Bergmann, representante brasileira no Comitê Científico do Projeto Gemini e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.Para fins de observação astronômica, explica Thaisa, cada noite tem em média 12 horas, dependendo da época do ano e do tipo de experimento que será realizado. "Com uma hora e meia você já consegue executar um projeto."Os projetos de pesquisa de cada país são selecionados e submetidos ao comitê internacional do projeto, que organiza uma fila para executá-los de acordo com as condições de observação e outras prioridades.E os cientistas nem precisam ir até o observatório: as observações são feitas por astrônomos de plantão, que depois enviam os resultados para os respectivos autores. No ano passado, o Brasil realizou 17 projetos no Gemini Norte.Juntos, os dois telescópios oferecem uma visão completa do universo. O Gemini Sul, entretanto, deverá ser mais interessante para os astrônomos brasileiros, mais acostumados a estudar objetos no hemisfério celeste sul. Além disso, somente do sul é possível observar objetos como o centro da galáxia e as Nuvens de Magalhães.

Agencia Estado,

11 de janeiro de 2002 | 20h54

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