Óleo amazônico elimina larvas do transmissor da dengue

O óleo essencial do pau-rosa (Aniba rosaeodora), muito usado na indústria de perfumaria - é uma das principais essências do famoso perfume Chanel 5 -, poderá também ser útil à saúde pública. Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) descobriram que ele contém substâncias capazes de matar as larvas do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. Testes mostraram que o linalol, principal óleo dessa árvore nativa da Amazônia, é capaz de eliminar até 92% das larvas presentes numa amostra.A química Katiuscia de Souza chegou a essa descoberta depois de mudar o rumo de sua pesquisa. Seu objetivo inicial era verificar a quantidade de linalol que era descartada junto com a água na qual ele é destilado. Para sua extração, usa-se o processo de arrastão por vapor. Madeira, galhos e folhas da árvore são imersos em água, que é fervida."A infusão evapora e em seguida passa por um condensador, que separa o óleo da água e de outros componentes", explica Katiuscia. "Na maior parte das destilarias da Amazônia, a água que sobra é jogada fora." Como essa água é cheirosa, Katiuscia imaginou que ela ainda contivesse uma certa quantidade do linalol.DesinfetanteOs testes provaram que ela estava certa. Mas um outro fato chamou sua atenção. "No início das pesquisas, descobri que em muitas regiões do interior da Amazônia esse material é usado como desinfetante de banheiros, vasos sanitários e até paredes e dependências de hospitais", conta. "Então pensei que o linalol pudesse ser o responsável por essa atividade larvicida ou bactericida da água descartada."Como não havia as condições ideais para realizar os testes na Ufam, Katiuscia usou os laboratórios do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). "Os resultados foram muito bons", diz. "Numa amostra em que as larvas ficaram 24 horas exposta ao linalol, 88% das larvas do Aedes aegypti morreram. Mas reparei também que muitas das que sobreviveram não estavam bem e por isso prolonguei o experimento por mais 24 horas. No final, 92% das larvas tinham morrido."O próximo passo agora, é usar esse óleo essencial para desenvolver um produto para combater as larvas do mosquito da dengue. "É possível aproveitar o linalol ou até mesmo a água residual para desenvolver larvicidas", diz o químico Jamal Chaar, orientador de Katiuscia na pesquisa. "Outro aspecto que deve ser ressaltado é que essa água não pode continuar sendo jogada no meio ambiente. Ela pode ser tóxica para muitos microorganismos, muitos dos quais ainda não estudados.

Agencia Estado,

10 de dezembro de 2003 | 02h15

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.