OMS aprova manutenção da varíola na Rússia e EUA

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou a manutenção dos estoques do vírus da varíola em laboratórios nos Estados Unidos e na Rússia. Oficialmente, o motivo foi o interesse pela pesquisa sobre o assunto, mas nos corredores da OMS, em Genebra, todos sabem que o interesse de Washington e Moscou em não destruir o vírus é essencialmente militar. A varíola foi a doença que mais matou seres humanos na história, com um índice superior a de todas as guerras e demais doenças. Segundo a OMS, um grupo de especialistas irá avaliar quando seria o momento ideal para destruir definitivamente o vírus. Além disso, está em estudo a possibilidade de que inspeções sejam feitas nos dois países que irão manter a varíola. Os dois laboratórios com direito de preservar o vírus são de segurança máxima. Informações extra-oficiais, porém, apontam que países como a Coréia do Norte e mesmo o Iraque também poderiam ter a varíola em estoque. O temor, portanto, é de que terroristas possam adquirir a varíola nesses países e utilizá-la em atentados, na forma de uma arma biológica feita a partir de modificações genéticas do vírus. Nesse caso, as vacinas existentes poderiam não ser suficientes para combater os efeitos dessa "arma". Washington alega que a única forma de se defender seria mantendo seu próprio vírus, para a fabricação de um possível remédio contra a nova doença. Mas se a manutenção pode ser uma estratégia de defesa, os riscos também são grandes. Muitos temem que os próprios cientistas aceitem negociar a venda do vírus para grupos terroristas. Míssil humanoEspecialistas alertam que, em caso de um ataques biológico com a varíola, a história das guerras ganharia um de seus capítulos mais perversos: o míssil mais eficaz para transportar o vírus seria o próprio ser humano. Apesar da aprovação pela OMS, os mais de cem países da organização ainda terão que dar seu voto em maio para que a decisão seja considerada final. Mas, na avaliação de diplomatas, a autorização dos governos deve ocorrer, mesmo diante de todos os riscos.

Agencia Estado,

17 de janeiro de 2002 | 16h13

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.