OMS prevê vacinação contra H1N1 a partir de setembro

Uma das cepas usadas parece estar possibilitando a mesma quantia de vacinas das gripes sazonais

JONATHAN LYNN E BEN HIRSCHLER, REUTERS

06 Agosto 2009 | 13h44

As primeiras vacinas para combater o vírus H1N1, da gripe suína, devem ser aprovadas e estar prontas para aplicação em alguns países a partir de setembro, informou nesta quinta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).  

 

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Marie-Paule Kieny, especialista em vacinas da OMS, também disse que a produção desse tipo de vacina está melhorando, depois de um começo decepcionante que causou preocupação sobre seu fornecimento.

Uma das cepas do vírus usadas pelos fabricantes agora parece estar possibilitando a mesma quantidade de vacinas das gripes sazonais, apesar de as primeiras indicações terem sido de que a produção para a variante do pandêmico H1N1 poderia ser de apenas 30 por cento da normal.

"Não quero dizer cedo demais que a questão foi resolvida, mas de fato parece que encontramos um meio de contornar esse problema," disse Kieny a jornalistas.

Os primeiros resultados de experiências clínicas são esperados para o começo do mês que vem e esses testes vão mostrar se serão necessárias uma ou duas doses para garantir imunidade --outra grande variável para determinar quantas pessoas podem ser vacinadas.

Tão logo os resultados dos testes iniciais estejam prontos, os reguladores estarão aptos a aprovar as vacinas para aplicação a partir do mês que vem e os primeiros países poderão iniciar programas de vacinação em massa, acrescentou Kieny.

A gripe H1N1, declarada pandemia em 11 de junho, se espalhou pelo mundo e poderá afetar até 2 bilhões de pessoas, segundo estimativas da OMS.

O temor de que a cepa pudesse se tornar resistente ao medicamento antiviral Tamiflu fez com que se buscasse rapidamente a colocação de vacinas no mercado. As vacinas contra a H1N1 serão aplicadas separadamente das doses regulares para as gripes sazonais.

Entre os principais produtores de vacinas do mundo estão Sanofi-Aventis, Novartis, Baxter, CSL, GlaxoSmithKline e Solvay.

A diretora-geral da OMS, Margaret Chan, tem dito que o vírus H1N1 está estabilizado e não há indícios de que se tenha misturado a outros tipos mais perigosos de influenza, tais como a mortífera cepa H5N1, da gripe aviária.

No momento, pacientes com sintomas moderados geralmente não precisam tomar remédios. Chan enfatiza que o encaminhamento a hospitais é desnecessário, a não ser que os infectados tenham alguns sintomas alarmantes, que incluem febre alta em adultos e falta de atividade em crianças. Gestantes e pessoas com problemas de saúde, tais como diabete, também são mais vulneráveis.

A OMS informou que as vacinas tiveram de ser providenciadas rapidamente e em grande quantidade para ter maior impacto. A entidade insiste que a agilização dos procedimentos não vai pôr em risco a segurança.

A agência afirmou que as vacinas chegaram tarde demais nas pandemias de gripe de 1957 e 1968, e nem mesmo foram produzidas em 1918 na pandemia de "gripe espanhola", que matou 50 milhões de pessoas segundo estimativas.

Surgiram preocupações por causa de graves efeitos colaterais constatados durante a vacinação contra a gripe suína nos EUA em 1976, que resultaram na morte de 30 pessoas.

Kieny disse que depois disso a produção de vacinas e os níveis de pureza melhoraram significativamente, mas questões de segurança poderão voltar à tona durante uma pandemia, quando vacinas são administradas em massa, mesmo que não tenham surgido problemas durante os testes.

(Reportagem adicional de Laura MacInnis)

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