ONG financiará setor produtivo em projetos ambientais

A Conservation International (CI) lançou hoje, em São Paulo, o Centro de Liderança Ambiental para Empresas (Center for Environmental Leadership in Business, CELB), cujo objetivo é criar oportunidades de trabalhos ligados à conservação da biodiversidade junto ao setor privado. Criado há um ano nos Estados Unidos, a partir de um aporte financeiro de US$ 25 milhões da Ford Motor Company, por um período de 5 anos, o CELB no Brasil terá sede em Belo Horizonte e irá financiar projetos que envolvam os setores agrícola, energia e mineração, turismo e lazer, reflorestamento e fixação de carbono.Segundo Glenn Prickett, diretor executivo do Centro, não há uma definição de quanto será investido no Brasil, ?mas buscaremos a colaboração de grandes nomes do mercado e grupos ambientalistas brasileiros para proteger a enorme variedade de espécies que habitam a região, criando valor agregado às empresas e parceiros?. Os recursos serão destinados a projetos considerados sustentáveis ambientalmente e economicamente, desde que haja contrapartida da empresa interessada. Programas voltados à capacitação de profissionais também serão apoiados.?Acreditamos que é possível redirecionar o impacto ambiental do setor produtivo, mesmo que, num primeiro momento, isso represente apenas a diminuição dos impactos negativos causados?, diz Roberto Cavalcanti, presidente da CI do Brasil. O principal enfoque do CELB no País deverá ser a conservação da biodiversidade. ?Nesse sentido, estamos identificando oportunidades concretas, como o interesse do setor privado em fazer a transição do modelo produtivo atual, para um ambientalmente sustentável.? A implantação da fábrica da Ford na Bahia foi citada como um exemplo de iniciativa, que poderá contar com a consultoria técnica do CELB. ?Partimos do princípio de que a preservação ambiental não deve ser a fundo perdido, mas pensada desde o início do empreendimento. Entre as inovações que conseguimos, nesta nova fábrica, estão uma pintura para os automóveis ambientalmente correta, com qualidade acima dos outros processos?, explica Rogério Golfarb, diretor de Assuntos Corporativos da Ford. Além disso, conta que a construção levou em consideração os ventos da região e conseguiu um conforto térmico dentro da fábrica, até 4o C abaixo do ambiente externo. ?No final do processo, constatamos que a fábrica não custou mais caro do que sairia com o modelo tradicional?, disse. ?Embora a Ford não influencie na agenda do Centro, nosso compromisso é utilizar os recursos doados pela empresa em projetos que tenham impacto no setor produtivo?, disse Cavalcanti. Entre os projetos já beneficiados internacionalmente, está o da Starbucks, cadeia de lojas de café norte-americana, que lançou uma linha de café artesanal produzido em áreas de floresta por comunidades do entorno de unidade de conservação no sul do México. ?Esse tipo de produto alia a produção a um serviço, que é possibilitar a conservação ambiental e a sobrevivência das comunidades?, defende Cavalcanti.No Brasil, o presidente da CI diz que já estão disponíveis US$ 200 mil para o setor florestal nos próximos três anos. ?Pretendemos incentivar projetos de recuperação florestal para interligar áreas preservadas, em dois corredores onde a CI já atua?, explica. Entre os parceiros potenciais, estão as empresas de celulose no sul da Bahia, no Corredor da Mata Atlântica, e produtores de soja na região do Corredor Cerrado-Pantanal, que vai do Parque Nacional das Emas, em Goiás, à Fazenda Rio Negro (propriedade da entidade ambientalista), no Mato Grosso do Sul.

Agencia Estado,

11 de junho de 2002 | 16h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.