Ongs, governos e polícias discutem repressão à biopirataria

Policiais, representantes da sociedade civil e dos governos da América do Sul começaram nesta terça-feira a discutir estratégias integradas para combater o tráfico de animais silvestres. Os animais saem do país de origem pelas mãos de traficantes e depois ganham certificados de legalidade em outros países.O chefe da Interpol no Brasil, Washington Melo, disse que asiáticos estão exportando serpentes que não são típicas de seu território. Neste ano, a Interpol apreendeu na Ásia 180 jibóias, cobras características do Brasil.Prejuízo incalculávelO coordenador da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas) no Brasil, Dener Giovanini, diz que a biopirataria causa prejuízo incalculável para os detentores de biodiversidade. ?O Brasil já perdeu a patente do captopril?, cita. O insumo, produzido a partir do veneno de jararacas - serpentes brasileiras -, é usado pela indústria farmacêutica na produção de remédios para controlar pressão alta. O remédio movimenta anualmente US$ 500 milhões, informa Giovanini.A Renctas está promovendo o 1º Workshop da Rede Sul-Americana de Combate ao Comércio Ilegal da Fauna Selvagem, na Academia da Polícia Federal. Uma das metas é criar um banco de dados para que os países compartilhem informações sobre traficantes de animais silvestres e as espécies mais visadas.Lógica cruel?Quanto mais rara é a espécie, mais cara e procurada ela se torna. É uma lógica cruel?, lamenta Giovanini. Ele informa que apenas uma arara-azul-de-lear, espécie reduzida a cerca de 30 exemplares na Bahia, pode alcançar no mercado internacional o preço de US$ 60 mil. Um ovo dessa ave, US$ 10 mil.O ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, que participou da abertura do encontro, destacou que o tráfico de animais silvestres segue as mesmas rotas e métodos dos traficantes de drogas.Países de destinoCarvalho considera importante a participação da Polícia Federal e da Interpol na repressão a estes criminosos. Defendeu também a integração de países de destino das espécies contrabandeadas, como Estados Unidos e Reino Unido. ?É fundamental que o trabalho não fique limitado ao país de origem das espécies.?A embaixadora dos Estados Unidos no Brasil, Donna Hrinak, também presente na academia, informou que o tráfico de animais movimenta anualmente até US$ 20 bilhões, só perdendo para drogas e armas.Donna observou que o fato de a América do Sul ser rica em biodiversidade acaba transformando o continente em alvo da atividade ilícita. ?A colaboração de todos é crucial para combater este tráfico?, pregou Donna, arrancando aplausos na Academia de Polícia Federal.

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