ONGs temem melhoria das estradas

O grande temor da comunidade científica tem o nome de Avança Brasil, ambicioso projeto federal de melhoria da malha rodoviária e estímulo ao crescimento do setor agroindustrial. Criado em 2000, o programa prevê investimento de US$ 40 bilhões em obras de infra-estrutura na Amazônia até 2008. Se não for interrompido pelo novo governo, haverá o asfaltamento de 6 mil quilômetros de estradas amazônicas, mais do que o dobro da atual malha viária.Três organizações não-governamentais, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o Instituto Sócio-Ambiental e o Centro de Pesquisa Woods Hole, dos Estados Unidos, já divulgaram estudos que mostram como a recuperação de quatro estradas do Avança Brasil ameaçam destruir até 180 mil quilômetros quadrados de floresta.As quatro estradas são a BR-163 (no trecho Cuiabá-Santarém), BR-319 (Humaitá-Manaus), BR-230 (Transamazônica, entre Marabá e Rurópolis) e BR-174 (Manaus-Boa Vista). Além do risco de aumento da ocorrência de incêndios florestais, a pavimentação e a recuperação dessas estradas poderão afetar 25% das terras indígenas e unidades de conservação, vitais para a preservação da biodiversidade.A razão imediata é que elas permitirão acesso rápido e mais barato às extensas florestas hoje preservadas. O que os ambientalistas esperam, e o novo estudo dá uma pista, é que esses cinturões verdes sejam ampliados como contraposição à invasão das estradas. Rondônia conheceu as conseqüências desse tipo de política. Na década de 70, o governo militar defendia para as terras da Amazônia a política do "integrar para não entregar".Pela BR-364, criou-se o eixo de expansão populacional, atraindo pessoas do Sul do País e de regiões vizinhas. Nas duas décadas seguintes, a população rondoniense cresceu nove vezes e o Estado se tornou o recordista no desmatamento amazônico.

Agencia Estado,

23 de janeiro de 2003 | 22h30

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