ONU considera possível uma Rio+20 com poucos resultados relevantes

Diretor do Programa da ONU para o Meio Ambiente diz que conferência tem metas ambiciosas, mas ainda é difícil prever se elas serão atingidas. Ele acredita que, apesar do risco de naufrágio, a esperança de construir um consenso existe

Roberta Pennafort,

04 Junho 2012 | 22h30

A nove dias da Rio+20, o diretor do Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, reconheceu a possibilidade de a conferência não ter resultados relevantes. “Dado o estado das negociações, o risco de não atingirmos acordos significativos, que mudem as coisas de verdade, é real. Mas muitas conferências dão certo só no último minuto”, disse Steiner, que já está no Rio de Janeiro.

Horas depois, o embaixador André Corrêa do Lago, negociador-chefe do Brasil na Rio+20, disse que os países em desenvolvimento “estão aguardando um movimento dos ricos” para que seja possível chegar a um resultado concreto na Rio+20.

Corrêa do Lago e Steiner se referiam à última rodada de negociações, em Nova York, encerrada no fim de semana sem que os temas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estivessem definidos. De acordo com a diplomacia brasileira, existe consenso em torno das metas; no entanto, os temas específicos a serem tratados não foram colocados no papel.

Em entrevista ao Estado, Steiner, que afirmou há dois meses que a conferência precisava ter ambição, voltou ao assunto. “A conferência e os temas são muito ambiciosos. O resultado será ambicioso? Só saberemos no último dia. Tem muita expectativa, muita negociação, e no fim será uma decisão política que vai dizer se a Rio+20 foi uma conferência para o futuro. Não precisamos de mais palavras, e sim de ações, prazos, objetivos concretos.”

Pela manhã, Steiner participou de uma ação simbólica ao lado da modelo Gisele Bündchen e da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, no Green Nation Fest, evento paralelo montado na Quinta da Boa Vista. A ministra iniciou a contagem regressiva para a Rio+20, que vai do dia 13 ao 22. A modelo, que é embaixadora da Boa Vontade da ONU, plantou um pé de sapucaia (espécie endêmica da Mata Atlântica) que será no futuro levado a uma região desmatada do Estado.

Dificuldade. “Os países em desenvolvimento estão dispostos a se mexer, mas é óbvio que os países desenvolvidos têm obrigações muito maiores, porque eles têm recursos financeiros e tecnológicos”, acrescentou Corrêa do Lago, que participou da última fase de negociações em Nova York, que terminou no fim de semana. Houve consenso em relação a 70 parágrafos do documento, disse ele, mas inda faltam 400. No dia 13, as discussões do documento serão retomadas no Rio.

 

“Está sendo muito difícil para os países em desenvolvimento avançar em certas coisas porque os países desenvolvidos não estão se mexendo em meios de implementação, ou seja, recursos financeiros e tecnologia.” Corrêa do Lago avaliou, porém, que houve “progressos importantes” nas discussões, principalmente em relação aos chamados Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Ele afirmou que países como Brasil e China não dependeram da cooperação internacional para fazer os que fizeram nos últimos anos. “A nossa posição é que temos de ajudar os países menos desenvolvidos. Há anos que os países desenvolvidos se comprometeram a dedicar 0,7% do PIB para ajuda ao desenvolvimento nos países mais pobres. São 5 países desenvolvidos que fazem isso, depois de anos dizendo que vão fazer.

Isso é uma coisa em que a gente quer que eles se mexam, por isso evidentemente todo mundo segura algumas coisas, para assegurar que eles se mexam.” Os países em desenvolvimento negociam em torno do G77 junto com a China, grupo que reúne mais de 130 países.

Prêmio - Estava prevista para a noite de ontem a entrega do prêmio Campeões da Terra, conferido pelo Pnuma a seis pessoas cujas ações tiveram impacto positivo no meio ambiente. A modelo Gisele Bündchen, embaixadora do Pnuma, e o secretário geral da Rio+20, Sha Zukang, participariam da cerimônia, no Hotel Copacabana Palace. Entre os vencedores está o executivo da Abril S.A. Fábio Barbosa. Quando presidia o Banco Real, ele incorporou iniciativas de sustentabilidade como um dos critérios na análise de risco das empresas.

Também foram premiados o presidente da Mongólia, Tsakhia Elbegdorj, o sultão Ahmed Al Jaber, o cientista Bertrand Piccard, o cientista social Sander Van der Leeuw e o guerreiro Maasai Samson Parashina. (Colaborou Clarissa Thomé)

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