ONU lança Iniciativa Ciclo de Vida

Cuidar dos impactos ambientais dos produtos industrializados desde a extração das matérias primas até a prateleira dos supermercados é uma prática adotada por um número cada vez maior de empresas, interessadas em assegurar uma boa imagem, associada à gestão ambiental responsável, com os consumidores. Mas já não basta para os defensores do consumo sustentável. É preciso também estender os cuidados até a deposição final das embalagens e resíduos em aterros adequados ou reconduzir os materiais recuperáveis até a reciclagem. É isso o que prega a Iniciativa Ciclo de Vida, lançada nesta segunda-feira, em Praga, na República Tcheca, pelo Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA) em colaboração com a Sociedade de Toxicologia e Química Ambiental (SETAC)."Conforme a população mundial cresce - e a expectativa é de um crescimento de 50% até 2050 - há uma grande expansão do consumo", diz Klaus Toepfer, diretor do Pnuma. "Atender a essa demanda e, ao mesmo tempo, preservar os recursos naturais da Terra exige novas maneiras de pensar, novas tecnologias e novos modelos de negócios".De acordo com o relatório "Mercados do Futuro", publicado pelo Pnuma, em parceria com o World Resources Institute (WRI) e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), o dinheiro gasto no consumo de produtos domésticos cresceu 68% entre 1980 e 1998, sobretudo nos países de alta renda per capita. Os países de baixa renda per capita correspondem a apenas 4% do mercado total de consumo privado, mas os números vêm crescendo dramaticamente em muitos setores. A compra de aparelhos de TV no leste da Ásia e Pacífico, por exemplo, quintuplicou entre 1985 e 1997. E o mundo teria mais 200 milhões de carros em circulação, se apenas a China, Índia e Indonésia adotassem o padrão médio mundial de 90 veículos por mil habitantes."Nosso desafio é mudar os padrões de consumo dos países mais ricos, enquanto trazemos novos instrumentos para a mesa, para reduzir a pobreza e assegurar um meio ambiente saudável e seguro para o desenvolvimento sustentável de longo prazo", afirma o diretor do Pnuma. Através da Iniciativa Ciclo de Vida, ele pretende incentivar governos, empresas e consumidores a buscar as inovações mais racionais, encontrando alternativas para substituir ou reduzir o uso de substâncias perigosas em produtos industrializados; para desenhar produtos mais sustentáveis e para certificar os sistemas de produção com selos verdes confiáveis. "A prioridade é compartilhar informações e diminuir a diferença de conhecimento e tecnologia entre os países desenvolvidos e em des envolvimento", diz Toepfer.

Agencia Estado,

29 de abril de 2002 | 19h34

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