Paulo Liebert/AE
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ONU pede avanço em relação ao alcançado

Secretário-geral diz que agora é hora de elevar-se aos interesses nacionais e dar prosseguimento à Rio+20 com ação

Lourival Sant'Anna, enviado especial ao Rio,

20 Junho 2012 | 22h30

 O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo para que os países membros da organização avancem em relação aos compromissos firmados até aqui na Rio+20. Em seu discurso no primeiro dia da reunião de cúpula, em seguida ao da presidente Dilma Rousseff, Ban Ki-moon enfatizou que os países não podem ter êxito sem a participação da sociedade civil - depois que o representante das organizações não-governamentais pediu que fosse retirado do comunicado final a menção de sua participação na conferência.

No dia seguinte à aprovação de um comunicado final praticamente desprovido de novos compromissos concretos, para acomodar interesses fortemente divergentes e alcançar o consenso entre os 193 países membros, Ban exortou: "Agora é a hora de elevar-se sobre interesses nacionais estreitos - de olhar além dos interesses estabelecidos desse ou daquele grupo. É hora de agir com uma visão mais ampla e de longo prazo." Numa referência ao título da declaração final, ele acrescentou: "Aqui na Rio+20 podemos agarrar o futuro que queremos. Não o deixemos passar."

"Nomeei o desenvolvimento sustentável minha prioridade número 1", afirmou o diplomata sul-coreano. "Fizemos progresso significativo. Agora é o momento de um grande passo final." Ban insistiu: "Vamos dar prosseguimento à Rio+20 com compromisso e ação. Agora é a hora para a ação. Não vamos pedir a nossos filhos e netos que realizem uma Rio+40 ou Rio+60."

"Aos milhares de representantes da sociedade civil e dos negócios, ofereço minhas especiais boas-vindas", continuou o secretário-geral. "Precisamos absolutamente de sua parceria. Não podemos ter sucesso sem vocês." A declaração final fala em "plena participação da sociedade civil". Pela manhã, em discurso logo depois da abertura dos trabalhos, o ambientalista Wael Hmaidan, representando as organizações não-governamentais, exigiu que a menção fosse excluída, já que os ambientalistas rejeitam o texto, pela falta de compromissos.

A China, a Índia e o Brasil são criticados pelos países desenvolvidos por insistir, no âmbito do G-77, por eles liderados, que os ricos paguem a conta da conversão para a economia verde, quando essas nações emergentes já atingiram certo grau de prosperidade.

O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, procurou demonstrar que a China está disposta a pôr a mão no bolso. Ele anunciou em seu discurso a destinação de 200 milhões de yuans (US$ 31 milhões) para projetos de desenvolvimento sustentável em ilhas, pequenos países em desenvolvimento e nações africanas, e outros US$ 6 milhões ao Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) para a capacitação de países em desenvolvimento para ações de proteção ambiental.

Mais cedo, o presidente do Irã, Mahmud Ahmadinejad, responsabilizou os países desenvolvidos pelo fato de o sistema financeiro internacional "drenar e saquear sistematicamente a riqueza" dos países pobres ao longo de gerações. "A ordem internacional precisa ser redesenhada para servir às necessidades espirituais da humanidade", disse Ahmadinejad, cujo governo é acusado de conduzir um programa nuclear com fins militares.

O novo presidente da França, o socialista François Hollande, ressuscitou a proposta de um imposto sobre transações financeiras, dessa vez para destinar os recursos a projetos de desenvolvimento sustentável. A proposta de um imposto sobre transações financeiras internacionais foi feita pela primeira vez em 1972 pelo Prêmio Nobel de Economia James Tobin.

Hollande, que mais cedo se reunira com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a presidente Dilma Rousseff, defendeu também a transformação do Pnuma em uma agência, ideia à qual o Brasil se opõe. Hollande argumentou que, pelo fato de a sede do Pnuma estar em Nairóbi, Quênia, sua conversão em agência "reforçaria o papel da África no mundo".

Hollande disse que "fez questão de vir pessoalmente", numa comparação tácita com a chanceler Angela Merkel, da Alemanha, e o primeiro-ministro britânico David Cameron, representados por seus ministros do Meio Ambiente e do Desenvolvimento. O presidente francês disse também que a crise econômica vivida pela Europa não deve servir de motivo para abandonar as preocupações com o meio ambiente: "Desenvolvimento sustentável não é um entrave, mas uma oportunidade."

"Estou no começo do meu mandato", enfatizou Hollande, eleito em maio. "O meio ambiente e a luta contra a pobreza são grandes prioridades do meu governo." Os discursos de chefe de Estado e de governo prosseguem até amanhã.

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