Órbita da Terra está abarrotada de lixo

Imagine 9 mil navios trafegando nos oceanos simultaneamente, mas apenas 900 deles tripulados. Os outros estão simplesmente vagando pelos mares, fora de controle. É parecido com esse o cenário composto por satélites desativados no espaço orbital da Terra, onde o trânsito espacial está cada vez mais congestionado e perigoso. São mais de 2 mil toneladas de lixo espacial - restos de foguetes, instrumentos, ferramentas perdidas por astronautas - em um raio de 2 mil quilômetros do planeta, segundo Richard Crowther, consultor espacial da QinetiQ, uma organização estatal para pesquisa e desenvolvimento tecnológico da Grã-Bretanha. "À medida que dependemos mais e mais de sistemas espaciais para sensoriamento remoto, comunicação e navegação, precisamos compreender a ameaça imposta por esse entulho espacial e as conseqüências financeiras de ignorá-la a longo prazo", afirma Crowther, em artigo publicado na revista Science. Os fragmentos mais perigosos são os que medem entre 1 e 10 centímetros, que não podem ser rastreados nem catalogados da Terra, mas podem causar colisões catastróficas com satélites e outros instrumentos espaciais. Isso tudo além de milhares de minúsculos fragmentos meteóricos que viajam como balas, a mais de 20 quilômetros por segundo. Uma moeda em movimento a 10 km/s no espaço teria uma energia de impacto igual a de um pequeno ônibus a 100 km/h na Terra, compara Crowther. Felizmente, segundo ele, 99% dos fragmentos espaciais têm mais do que 10 centímetros e são rastreados continuamente pelo Comando Espacial dos Estados Unidos, do alto de uma montanha no Colorado. Colisões com partículas menores, entretanto, são comuns. Nenhum astronauta foi atingido até hoje, mas a Nasa já precisou trocar mais de 60 janelas nos ônibus espaciais danificadas por fragmentos. A Long Duration Exposure Facility, uma chapa de 151 metros quadrados, construída com diferentes materiais e enviada ao espaço pela Nasa, retornou com 30 mil crateras de impacto visíveis a olho nu. "A longo prazo, melhor monitoramento e proteção não serão suficientes", afirma Crowther. "A única opção viável financeiramente será limitar o número de objetos ativos em órbita e, com isso, reduzir a probabilidade de colisões."

Agencia Estado,

01 de junho de 2002 | 09h08

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