Órgão ambiental da ONU pede fim dos subsídios ao petróleo

Segundo Pnuma, barateamento encoraja um maior consumo e atrasa a transição para fontes limpas de energia

AP

26 de agosto de 2008 | 16h28

Governos gastam cerca de US$ 300 bilhões (R$ 492 bilhões) por ano para manter o preço dos combustíveis baixo ou para ajudar os produtores, dinheiro que muitas vezes é desperdiçado e deixa de ajudar os mais pobres, disse o Programa Ambiental da ONU (Pnuma) nesta terça-feira, 26.  Veja também: Florestas tornam-se tema chave dos debates da ONU sobre CO2 Verba contra desmatamento racha conferência climática  Reunião sobre efeito estufa debate metas setoriais para CO2 Negociação sobre efeito estufa precisa acelerar, diz ONU Negociação de acordo contra efeito estufa recomeça em Gana A energia barata encoraja um maior consumo e desencoraja a eficiência. Ela também atrasa o processo de transição para fontes de energia "limpa", disse o relatório do Pnuma. Cortar os subsídios energéticos seria bom para o clima e reduziria as emissões de carbono em cerca de 6%, disse Kaveh Zahedi, coordenador de mudança climática do Pnuma.  "Essa é claramente uma área que precisamos reexaminar em nossa luta contra a mudança climática", disse Zahedi durante a conferência preparatória para o COP 14, que tem a participação de 160 países em Gana.  Os subsídios "nem sempre ajudam os pobres que mais precisam", e muita vezes beneficiam mais os mais ricos, disse Zahedi. "Alguns países gastam mais em subsídios de petróleo que em saúde e educação combinados." O baixo custo da eletricidade não beneficia aqueles que não têm fornecimento de energia elétrica, e famílias pobres consomem uma quantidade pequena de petróleo, disse.  O país que mais gasta com esse tipo de subsídio é a Rússia, seguida pelo Irã e pela Arábia Saudita.  Alguns países africanos são conhecidos por gastar todo o dinheiro que recebem de ajudas externas para tentar baixar o preço do petróleo. Essa medida pode ser politicamente popular, mas é também bastante nociva.  "Na análise final muitos subsídios para combustíveis são introduzidos por razões políticas, mas simplesmente perpetuam as ineficiências da economia global", disse Achim Steiner, diretor do Pnuma.  O relatório disse que o dinheiro poderia ser usado para programas de ajuda a famílias de baixa renda ou mais diretamente orientado para promover energia verde.  A reunião de 1.600 delegados e especialistas de 160 países é a terceira conferência esse ano a trabalhar para um novo acordo sobre a mudança climática para substituir o Protocolo de Kyoto de 1997, que expira em 2012, que deve ser adotado em dezembro do ano que vem, em Copenhague.

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