Os anéis de Saturno, enfim, vistos bem de perto

Em alguns trechos, parece a superfície ondulada de uma água muito clara; em outros, parece a superfície de uma concha; em outros, uma seqüência de bandas claras e escuras; em outros, ainda, parece a superfície de um tronco cortado. ?É absolutamente estonteante?, resumiu a cientista Carolyn Porco, que lidera a equipe de coleta de imagens da missão Cassini-Huygens a Saturno.As primeiras imagens dos anéis feitas de ângulos jamais conseguidos pelo homem começaram a ser enviadas logo depois da arriscada manobra de entrada da sonda euro-americana na órbita do chamado gigante de gás. A sonda usou uma antena em forma de escudo para evitar o choque de partículas nos equipamentos mais sensíveis. Depois de passar por brechas entre os anéis, na noite de quarta-feira, a Cassini-Huygens começou seu espetáculo, a 1,4 bilhão de quilômetros da Terra.O que as imagens revelaram de mais importante aos cientistas, até o momento, é que os anéis têm bordas mais agudas do que imaginavam. ?Bordas agudas são muito misteriosas, porque elas têm de ser mantidas agudas por algum mecanismo?, disse Carolyn, no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da Nasa, na California.A Cassini-Huygens é um complexo de duas sondas: a americana Cassini, que vai coletar imagens e dados de Saturno durante os próximos quatro anos, e a européia Huygens, que em 25 de desembro vai se descolar e aterrissar na lua Titã para recolher dados sobre o solo e a atmosfera ? Titã é a única lua do Sistema Solar que tem atmosfera.Até aqui, a missão já durou sete anos - seu lançamento foi em outubro de 1997 -, período em que a Cassini-Huygens percorreu 3,5 bilhões de quilômetros ganhando impulso nas órbitas de Vênus, Terra e Júpiter. O projeto de US$ 3 bilhões envolve 17 países, tendo a Nasa, a Agência Espacial Européia (ESA) e a Agência Espacial Italiana como instituições líderes.Na órbita de Saturno, a Cassini vai passar várias vezes a cerca de 20 mil km de distância do topo da atmosfera gasosa do planeta, coletando informações sobre as nuvens, o relevo e a composição do solo.Se conseguir pousar em meados de janeiro de 2005 em Titã - a maior das 31 luas do planeta ? a Huygens deve revelar dados importantes sobre o passado da própria Terra. Com uma atmosfera composta em grande parte por metano e nitrogênio, Titã promete aos cientistas algumas características que a Terra pode ter tido num passado remoto.Primeiro artefato humano que entrou na intimidade do ?Senhor dos Anéis? ? como definiu Charles Elachi, diretor do JPL ? e permitiu observar os discos em ângulos inéditos, a Cassini-Huygens é parte de um esforço internacional iniciado há duas décadas. Cerca de 100 cientistas dos 17 países estão envolvidos nesta missão.

Agencia Estado,

01 de julho de 2004 | 18h58

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