Os governos brigam e os peixes morrem

O Grupamento Marítimo do Corpo de Bombeiros (G-Mar) e a Companhia de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) retiraram trinta e uma toneladas de peixes mortos da Lagoa Rodrigo de Freitas nos dois últimos dias. ?O problema é que, além de provocar mau cheiro, os peixes mortos impedem a circulação do oxigênio da água?, explicou o comandante do G-Mar, tenente-coronel bombeiro Marcos Silva.Cerca de 80 homens do grupamento e 45 garis da Comlurb trabalham no trabalho de limpeza, que continua nesta segunda-feira. É o terceiro carnaval consecutivo em que o fenômeno ocorre na Lagoa. Desta vez, a mortandade aconteceu neste sábado.Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente, André Corrêa, o problema foi provocado por temperatura alta e maré baixa, que não deixaram a água da Lagoa se renovar. Normalmente, a temperatura média da água é de 23º C, mas, neste mês, chegou a 30ºC, segundo o secretário.Corrêa defendeu a qualidade da água do local e rebateu as declarações do secretário municipal de Meio Ambiente, Eduardo Paes, de que os principais motivos da mortandade seriam o despejo de esgoto e o desinteresse por parte do Estado em realizar obras de ampliação do canal do Jardim de Alah, por onde a água da Lagoa é renovada.Neste domingo, Corrêa determinou que a comporta do Jardim de Alah permaneça fechada até que a maré suba. Em 2001, o governo estadual construiu uma ?galeria de cintura? para impedir o despejo de esgoto na água, mas continuou a haver lançamentos, denunciados pelos jornais. ?Há dois dias estávamos em estado de alerta, prevendo esse novo acidente?, disse ele.

Agencia Estado,

10 de fevereiro de 2002 | 20h03

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