Paciente é tratado com células-mães embrionárias pela primeira vez

É o primeiro uso publicamente conhecido de células-mães de embriões humanos em pessoas

Reuters

11 Outubro 2010 | 16h57

Um grupo de médicos começou a tratar o primeiro paciente a receber nos Estados Unidos células-mães embrionárias, sem dar detalhes deste importante ensaio clínico que são confidenciais, informou nesta segunda-feira a empresa de biotecnologia americana Geron Corp.

 

A empresa Geron conta com a primeira licença da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, FDA na sigla em inglês, para o uso das controversas células no tratamento de pessoas, neste caso pacientes com lesões na medula espinhal.

 

Trata-se do primeiro uso publicamente conhecido de células-mães de embriões humanos em pessoas.

"O paciente se inscreveu no Centro Shepherd, um hospital de reabilitação de lesões da medula espinhal e do cérebro e no centro de investigação clínica de Atlanta, na Geórgia, de 132 leitos", indicou a Geron em um comunicado.

 

"O Centro Shepherd é um dos sete possíveis lugares nos Estados Unidos onde poderiam se inscrever pacientes para este ensaio clínico", acrescentou a companhia.

 

A Universidade do Noroeste, em Chicago, também está cadastrando pacientes.

 

As células-mães de posse da Geron provêm de embriões humanos descartados em tratamentos de fertilidade. O material foi manipulado para que possam ser produzidos precursores de certos tipos de células nervosas.

 

A expectativa é que essas células se desloquem até a área de uma lesão espinhal recente e emitam compostos que ajudem aos nervos danificados na medula a se regenerar.

 

O ensaio na Fase I não apontará para curar os pacientes, mas deverá indicar que o uso dessas células-mães embrionárias é seguro. Segundo as normas da experiência, os pacientes devem ter lesões medulares muito recentes.

 

A Geron disse que o Centro Shepherd manterá em sigilo os detalhes do paciente.

 

Investigação com células-mães

 

"Quando começamos a trabalhar com células-mães de embriões humanos em 1999, muitos previam que se passariam décadas antes de uma terapia celular ser aprovada para ensaios clínicos humanos", assinalou em comunicado o presidente-executivo da Geron, doutor Thomas Okarma.

 

A Geron não está sujeita às limitações no financiamento federal para as investigações com células-mães de embriões humanos em vigor nos Estados Unidos, já que trabalha com fundos próprios.

 

Atualmente, o governo norte-americano está envolvido em uma batalha legal sobre o estudo com células-mães embrionárias.

 

Pouco depois de assumir o cargo em 2009, o presidente Barack Obama baixou uma ordem executiva que flexibilizava as limitações ao financiamento federal para a investigação com células-mães de embriões humanos.

 

Mas quem se opõe ao uso dessas células argumenta que é antiético empregar um embrião humano para esse fim.

Uma corte de apelações federal permitiu que se continue com o financiamento federal até que haja uma resolução definitiva a respeito.

 

Material mestre

 

As células-mães são o material mestre do corpo, já que podem dar origem a células sanguíneas e tecido. As que são extraídas de embriões de poucos dias de vida são as mais poderosas porque podem formar todos os tecidos e tipos de células.

 

Ainda que os cientistas esperassem que as células-mães pudessem transformar a medicina, levando curas para enfermidades como o Mal de Parkinson e a diabetes juvenil, a realidade é que o trabalho é complexo .

 

Depois da Geron, somente outra companhia - a 'Advanced Cell Technology' (ACT) com sede em Massachusetts - conta com aprovação da FDA para o tratamento com células embrionárias humanas.

 

No caso da ACT, tratam-se de células-mães de embriões humanos treinadas para desenvolver células de laretina. A empresa solicitou permissão à FDA para usar seu produto em pacientes com distrofia macular de Stargardt, uma enfermidade ocular genética que avança até deixar o paciente cego.

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