Exposição 'Darwin: Origens e Evolução'
Exposição 'Darwin: Origens e Evolução'

Pai da Teoria da Evolução, Darwin é tema de exposição gratuita no Rio

Mostra no Museu do Meio Ambiente destaca descobertas do naturalista e suas consequências para a ciência, a sociedade e a cultura

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2019 | 13h30

RIO - Charles Darwin e sua Teoria da Evolução colocaram o homem em seu devido lugar na natureza. Mostrou que, em meio a milhares de outras espécies, ele nada mais é do que fruto da evolução aleatória. Não é um ser especial, como se acreditava. Essa mudança radical revolucionou a forma de a humanidade se ver no mundo. Teve consequências para a ciência, a sociedade e a cultura.

Em tempos de defesa do criacionismo (a ideia de que o homem foi criado por Deus, defendida por religiões como o cristianismo), essa é uma das mensagens principais da exposição Darwin: Origens e Evolução, inaugurada nesta sexta-feira, 30, no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

Para contextualizar a dimensão dessa revolução darwiniana, a exposição é aberta por um módulo que mostra a ciência antes de Darwin.

"É um momento pré-iluminista, em que há uma relação de utilidade, de controle, do homem em relação à natureza", explica o curador da mostra, Diogo Rezende. "A gente se via muito acima da natureza, no centro do Universo."

Historiadora de ciência, a pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz Magali Romero Sá, que fez a curadoria científica da mostra, concorda com o colega.

"Acho importantíssimo, neste momento de negação da ciência, resgatar essa história que mudou o nosso modo de pensar; que nos fez entender o homem como parte da natureza", afirmou a especialista. "Darwin incluiu o homem na escala da natureza; antes, tudo existia em função do homem, ele estava acima de tudo. Isso modifica completamente a nossa forma de ver o mundo, a ciência, a sociedade e a cultura."

A segunda sala da exposição revela as descobertas geológicas e paleontológicas que pavimentaram o terreno científico para as teorias de Darwin.

"A descoberta do tempo geológico da terra foi muito polêmica, havia todo um embate com os criacionistas, mas foi o que permitiu que Darwin fizesse a teoria dele: não se pode falar de evolução a curto prazo", explicou Rezende. "Também neste período foram feitas muitas descobertas de fósseis e se desenvolveu a noção de que havia seres extintos."

Nesta sala, um presente especial para os brasileiros. Desenhos inéditos do dinamarquês Peter Brandt, que ilustravam o trabalho de campo do patrício Peter Lund, considerado o pai da paleontologia no Brasil, responsável pela descoberta de fósseis da megafauna. Darwin cita em A Origem das Espécies a coleção de ossadas fósseis recolhidas por Lund em cavernas de Minas Gerais.

A terceira sala da exposição mostra aos visitantes a viagem de Darwin a bordo do HMS Beagle. O barco percorreu várias partes do mundo entre 1831 e 1836 e despertou no jovem naturalista as ideias do que, anos depois, seria transformada na revolucionária Teoria da Evolução. Ela é apresentada, finalmente, na última sala da mostra.

Na parte final, a mostra revela ainda toda a oposição e o preconceito sofridos por Darwin pelos que se opunham à teoria e tentavam negar a ciência. A postura que, 160 anos depois, permanece em muitas áreas.

Serviço

Darwin: Origens e Evolução

Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico do Rio  

Rua Jardim Botânico, 1008

De 30 de agosto a 30 de outubro

Entrada gratuita

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