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Pais de vítimas de abuso querem desculpas públicas do papa

Para eles, 'Jornada Mundial da Juventude sendo apenas celebração, sem reflexão, é um só circo sem significado'

Ansa

17 de julho de 2008 | 18h39

Os pais de duas garotas que sofreram repetidos abusos sexuais de um padre australiano declararam nesta quinta-feira, 17, que, sem as desculpas públicas do Papa, a Igreja Católica não poderá dar uma ajuda efetiva às vítimas de abusos cometidos por membros do clero. Veja também: Bento XVI usa barco para passear por Sydney Papa fala sobre defesa do meio ambiente na Austrália Pais de meninas abusadas por padre pedem audiência com papa Começa em Sydney a Jornada Mundial da Juventude As filhas de Anthony e Christine Foster foram violentadas diversas vezes por um sacerdote de Melbourne entre 1988 e 1993. O casal chegou nesta quinta a Sydney para pedir uma audiência com o papa Bento XVI, que está na cidade por conta da XXIII Jornada Mundial da Juventude, e com o arcebispo de Sydney, o cardeal George Pell. O casal acusou o arcebispo de ter bloqueado os pedidos de indenização da família. Há alguns meses a filha mais velha, Emma, suicidou-se aos 26 anos, depois de uma longa luta contra a dependência de drogas, que seu pai atribui ao trauma causado pelos abusos sofridos.  A outra filha do casal, Katherina, é alcoólatra e ficou gravemente ferida depois de ter sido atropela em 1999 por um motorista bêbado.  Em 1996, o padre O'Donnell, que dava aulas para as garotas em uma escola de Ensino Fundamental, foi condenado a 15 meses de prisão por outros abusos, cometidos anteriormente contra 11 garotos e uma garota, com idades entre 8 e 14 anos. O padre morreu poucos meses depois, quando ainda estava preso. "O Papa deveria entender que nós conhecemos bem os efeitos dos abusos sexuais e poderíamos ajudar a Igreja a entender o que deve ser feito", disse o casal a jornalistas, após sua chegada em Sydney.  O tema tem grande destaque na opinião pública e na mídia australianas. "A Pedro, que perguntava quantas vezes se deveria perdoar, Cristo respondeu: não sete vezes, mas 77. O perdão, porém, não significa que quem ofendeu retoma sua posição de confiança, respeito ou autoridade, não significa que tenha voltado à graça de Deus: quem ofendeu deve pedir perdão com arrependimento ativo, não esperar simplesmente que a vítima o perdoe por dever cristão. É nisso que a Igreja Católica e o cardeal Pell parecem se equivocar", publicou o jornal Sydney Morning Herald, em um editorial sobre o assunto.  A mesma publicação declarou que "se a Jornada Mundial da Juventude é só uma celebração, então é um circo sem significado. Deve ser também uma reflexão sobre nossa fé e ter ao centro o Cristo radical que disse: todo aquele que faz mal ao menor de meus irmãos faz mal a mim", completou o jornal.

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