País deve se preparar para ciclones, diz especialista

Assim como em outros países estão ocorrendo fenômenos naturais cada vez mais intensos, no Brasil não será diferente. ?Temos de ficar alerta a este tipo de fenômeno já que o clima no mundo está passando por uma variabilidade muito intensa?, explicou a coordenadora geral do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Maria Assunção Saus da Silva.Segundo a especialista, existe a possibilidade de que os ciclones se revelem com mais freqüência no País. ?É o que estaremos avaliando a partir de agora, já que no mundo todo é possível verificar fenômenos cada vez maiores?.Formação raraO fenômeno registrado no Sul ? que ela classificou como ciclone extratropical - havia se formado havia sete dias em terra e estava sendo acompanhado pelos institutos de meteorologia do País. O ciclone se dirigiu para alto mar, onde foi se fortalecendo. ?Sabíamos que ele passaria por uma faixa de 200 km do litoral, mas não foi possível detectar em quais lugares seria mais forte?.O que chamou a atenção dos meteorologistas foi o olho ? região escura e sem nuvens no centro do ciclone ? que raramente, segundo a coordenadora, se forma. ?Não posso dizer que é a primeira vez, mas este olho é raro e será alvo de estudos?.Ganhou forçaUm aviso na página principal do CPTEC na Internet na manhã de sábado citava a possibilidade de rajadas de ventos, mas não informava da força do ciclone. ?Na verdade o sistema de baixa pressão vinha apresentando características de um ciclone fraco, mas à medida que ele se aproximou da costa, se fortaleceu?, explicou a especialista.Segundo ela, ciclones são comuns. Toda vez que uma frente fria passa por alguma região existe a possibilidade de ciclone. ?Inúmeros ciclones se formam sempre e esta não é a primeira vez que causa estragos?, afirmou Silva. Em maio de 1994, nas regiões de Ribeirão Preto e Bauru, interior de São Paulo, os prejuízos causados pela passagem de um ciclone chegaram a dois milhões de dólares. Em fevereiro de 1999, o fenômeno voltou a causar estragos no município de Ozório (RS).Chuva no SulApesar das vítimas e dos estragos, o que houve no litoral do Sul do País não foi um furacão. ?A diferença é que o furacão sustenta ventos de até 200 km/h por um tempo muito maior que o ciclone, que apresenta rajadas de vento de no máximo 70km/hora?, esclarece Silva.A chuva que começou a cair no Sul do País ajudou a dissipar o fenômeno que, segundo previsão do Inpe, não deve retornar nos próximos dias. ?Pelo menos não há sinais de um novo fenômeno como este por enquanto?.Leia mais Fenômeno climático no Sul é inédito, diz professorHospitais de Criciúma atendem 500 vítimas do CatarinaFalta energia em municípios de Santa CatarinaTorres teve 400 casas destelhadas e 150 desabrigadosFenômeno climático teve dois picos, diz Climer/EpagreFenômeno ainda gera dúvidasCiclone mata 1 e deixa mais de 100 desabrigados no Sul

Agencia Estado,

28 de março de 2004 | 17h36

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